ExpoMusic comemora 30 anos em São Paulo

Estadão

05 Setembro 2013 | 17h00

da equipe Combate Rock

Uma coincidência não muito feliz fez com que a ExpoMusic 2013, em São Paulo, fosse realizada ao mesmo tempo em que o Rock in Rio. Houve até um certo temos de que pudesse haver um esvaziamento do evento paulista, a maior reunião do setor musical da América Latina parece não se importar. Ainda bem, pois a feira deve apresentar este ano mais novidades, mais lançamentos e mais shows, justamente para comemorar a 30° edição.

A programação oficial deverá ser divulgada nos próximos dias, mas alguns artistas já anunciaram suas presenças, com shows pequenos e jam sessions, como o trio Dr. Sin e dois integrantes do Angra, Rafael Bittencourt (guitarra) e Ricardo Confessori (bateria), na área do rock. O guitarrista Pepeu Gomes é outro que deverá fazer uma apresentação. Assim como no ano passado, haverá um concurso de bandas iniciantes e de revelação de artistas solo, oq ue aumentou bastante o interesse pelo evento.

A ExpoMusic se tornou um grande negócio e uma vitrine importante para o mercado musical – em 2012 gerou cerca de R$ 250 milhões em negócios. Embora respeitável, o setor poderia ter um desempenho mais interessante, já que o potencial é imenso. Até o final do ano, a previsão e de que a música, envolvendo instrumentos musicais e eventos ligados possam render um faturamento de R$ 700 milhões, 12% a mais do que em 2012.

A feira é um retrato fiel das transformações que o mercado musical sofreu em 30 anos. Em 1983, quando aconteceu a primeira edição da Expomusic, a Feira Internacional da Música, The Police estava no topo das paradas de sucesso internacionais com os hits “Every Breath you Take” e “King of Pain”. O U2 celebrava o hit “New Year’s Day” e o Duran Duran tocava “Hungry Like the Wolf”. David Bowie lançava “China Girl”.

No Brasil, o maior sucesso era Ritchie com sua “Menina Veneno”. A banda Blitz fazia “A Dois Passos do Paraíso” e Tim Maia tinha duas canções bombadas no repertório: “Me Dê Motivo” e “Vale Tudo”, esta gravada com Sandra de Sá. Michael Jackson já era forte referência da música pop tendo “Billie Jean” e “Beat It” entre as músicas mais executadas no mundo.

Muitas das canções que faziam sucesso nos anos 80 continuam agradando o público ainda hoje, assim como os instrumentos musicais acústicos – violões, baterias, pianos e sopros – que não apresentaram muitas modificações nos últimos 30 anos. Já no que se refere às tendências musicais, demais instrumentos e aparelhos eletrônicos, muita evolução pode ser notada nestas três décadas. A tecnologia trouxe para o setor musical novos elementos e também desafios.

Nos anos 80, o LP respondia por 59% das vendas, hoje representa apenas 1,3%. O sucessor do vinil, o CD, tem 49,1% do mercado e vem perdendo espaço dia após dia para os downloads legais e serviços de música online. Há 30 anos poucos imaginariam que um dia comprariam música pelo celular.

“Em termos de instrumentos e equipamentos, nos anos 80 a reserva de mercado restringia muito o trabalho dos músicos brasileiros, que tinham à disposição produtos de fabricação nacional com preços altos e qualidade inferior aos encontrados fora do País”, conta Northon Vanalli, técnico em produto da Sonotec, empresa responsável por trazer ao Brasil instrumentos de cordas, percussão e acessórios de marcas mundiais como Takamine, Strinberg, Gretsch, Ovation, Karsect, Genz-Benz, entre outras.

Nos anos 90, a abertura de mercado trouxe profundas mudanças no cenário musical brasileiro. Nasceram grandes importadoras que passaram a trazer ao País itens de marcas consagradas. “Surgiram importantes polos de compras como a Rua Santa Efigênia e a Teodoro Sampaio em São Paulo, além da Rua da Carioca no Rio de Janeiro”, relembra Emil Casseb, gerente do Departamento de Áudio da Yamaha Musical do Brasil.

A partir dos anos 2000 a internet e os recursos eletrônicos trouxeram profundas mudanças ao setor. As novas tecnologias possibilitaram aos músicos explorarem novos sons e estilos. “Pode-se dizer que é graças à tecnologia que foram abertos inúmeros campos no estilo musical”, diz Takao Shirahata, diretor da Roland do Brasil.

Com tanto acesso à informação, até a maneira de consumir música mudou. A ‘vida útil’ de uma música é bem mais curta. “Os sucessos ‘cansam’ com mais facilidade e os grandes artistas precisam encontrar alternativas para manterem-se em alta”, observa Edilson Coutinho, técnico em produto da Sonotec. Por outro lado, também os instrumentos musicais e acessórios precisam ser atualizados constantemente, alterando modelos, inserindo novas cores e mantendo bons preços – tudo isso com o objetivo de atrair e manter o consumidor.

Segundo Synésio Batista da Costa, presidente da Abemúsica – Associação Brasileira da Música, o varejo da música tem faturamento anual superior a R$ 1 bilhão. “As vendas das empresas vem crescendo em torno de 10% ao ano na última década. São resultados promissores para um segmento que lida muito com as oscilações cambiais, visto que os fabricantes nacionais representam 10% da composição do faturamento anual.”

SERVIÇO

Expomusic 2013 – 30ª. Feira Internacional da Música, Instrumentos Musicais, Áudio, Iluminação e Acessórios.

Data: 18 a 22 de setembro de 2012
Horários: 18 a 21, das 11h às 21h; dia 22, das 11h às 19h.
Dias 18 e 19 a feira é restrita a profissionais do setor com convite ou credencial.
Dias 20 a 22, o evento é aberto ao público em geral mediante compra de ingresso. Entram sem pagar nesses dias somente compradores, músicos ou do setor com credencial.

Crianças com idade até 12 anos, maiores de 60 anos e deficientes físicos têm acesso gratuito.

É obrigatória a apresentação de documento pessoal com foto na recepção do evento.

Local: Expo Center Norte
Endereço: Rua José Bernardo Pinto, 333, Vila Guilherme, São Paulo, SP.