Ex-vocalista do Black Sabbath reclama de ter sido maltratado em biografia de Iommi

Estadão

02 de agosto de 2012 | 06h45

Marcelo Moreira

O cantor inglês Tony Martin inicia sua primeira turnê com a banda nova, “Tony Martin’s Headless Cross”, envolto em uma polêmica chata com o guitarrista Tony Iommi, seu ex-companheiro no Black Sabbath entre 1987 e 1995. O problema surgiu com a publicação do livro “Iron Man: My Journey Through Heaven And Hell With Black Sabbath”, uma espécie de autobiografia do guitarrista, onde o cantor foi criticado de forma deselegante pelo chefão do Black Sabbath.

De forma surpreendente, Iommi conta no livro que Martin foi um músico antiprofissional quando passou pela banda e que não tinha presença de palco. O curioso é que Tony Martin foi o vocalista que mais tempo cantou no Black Sabbath depois do mito Ozzy Osbourne. Ou seja, se ele era realmente ruim e deixava a desejar, por que ficou tanto tempo na banda?

 Em entrevista ao site Über Rock, Tony Martin se disse surpreso com o conteúdo do livro. “Nunca me disseram nada. Se você tem um problema com alguém, deveria ser a primeira a saber. Não se espera dez anos. Soa como algo estúpido e que poderia ter sido resolvido. Nunca reclamaramde nada. Talvez tenha faltado coragem, mas colocar em um livro anos depois é esquisito, mas não fiquei magoado, apenas surpreso”.

Ninguém duvida que a fase em que Martin esteve na banda foi a pior do Black Sabbath. Não por culpa de Martin – ou não por sua culpa exclusiva. A banda deveria ter acabado em 1985, segundo o próprio Tony Iommi.

Decadência e bagunça

Quando Ian Gillan voltou ao Deep Purple, em 1984, o guitarrista e o baxisita Geezer Butler chegaram a fazer testes com os desconhecidos Jeff Fenholt e Dave Donato, mas os resultados não agradaram. O baixista ficou desiludido e abandonou o barco, enquanto que Iommi decidiu gravar um álbum solo e colocar o Black Sabbath na geladeira.

O álbum “Seventh Star” foi gravado entre o final de 1985 e o começo de 1986 com os vocais do amigo Glenn Hughes (ex-Deep Purple), mas um mês antes do lançamento o guitarrista foi surpreendido com uma “intimação” da gravadora: ou o álbum saía com o nome de Black Sabbath, ou seria engavetado. 

Capa de 'Seventh Star"

Único integrante original, surpreso e sem alternativa, Iommi engoliu a exigência, o que revoltou Hughes. “Seventh Star featuring Tony Iommi” é um bom álbum, mas não decolou e fracassou nas paradas de sucesso e nas rádios, assim como a turnê  norte-americana do álbum foi um fiasco: após o quarto show, Glenn Hughes brigou feio com o empresário da banda e decidiu abandonar tudo, levando de brinde um nariz quebrado e a garganta inundada de sangue, o que de qualquer forma o impediria de cantar por um mês.

A partir de então o Black Sabbath desceu a ladeira. O norte-americano Ray Gillen substituiu Hughes nas datas que restaram – vários shows foram cancelados por causa da saída de Hughes – , começou as gravações do álbum seguinte, “The Eternal Idol”, sempre com Iommi como único integrante oficial.

Só que a passagem de gillan não duraria um ano: uma briga com os empresários e desentendimentos com Iommi acabaram em demissão. com o cronograma apertado, o estafe do Black Sabbath se desesperou e saiu atrás de um alguém ao menos para quebrar o galho.

Chegaram ao desconhecido Tony Martin, que mesmo aos 30 anos de idade tinha pouca experiência profissional. Iommi gostou do que ouviu, apesar dos alertas de que Martin seria apenas um “clone” de Ronnie James Dio  e deu o sinal verde para que ele gravasse os vocais por cima do que já tinha sido registrado por Gillen.

Se o vocal estava resolvido, o resto do Sabbath estava em frangalhos. Nos anos seguintes passaram pela banda músicos como Cozy Powell e Bobby Rondinelli na bateria, Neil Murray e Geezer Butler no baixo, além do fiel escudeiro Geoff Nicholls  nas guitarras e teclados, que entrava e saía da banda. Portanto, a bagunça

Desrespeito

O vocalista também comentou no site Über Rock o fato de sua era na banda ser tão subestimada. “Ao fazer isso não estão apenas apagando a mim, mas a eles próprios. Por que deletar dez anos de uma história? Parece que só o que traz mais dinheiro é o que interessa. Como a reunião com Ozzy. Quantas vezes as pessoas querem pagar para ver a mesma coisa? Dizem que aquelas são as músicas preferidas. Provavelmente porque passaram anos as enfiando goela abaixo, sem dar chance para outro material”.

A nova banda de Tony Martin: o cantor é o de camisa branca

 

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