Ex-beatle se diverte e volta a ser pop star no Espírito Santo

Estadão

11 de janeiro de 2011 | 16h23

Marcelo Moreira

Tinha tudo para ser um grande mico, mas acabou sendo uma emocionante celebração. O músico mais azarado de todos os tempos está no Brasil e fez dois shows na improvável Vitória, capital do Espírito Santo, cidade que está fora do circuito brasileiro de shows internacionais.

Pete Best é um senhor inglês sexagenário que poderia ter sido o baterista da banda de rock mais famosa de todos os tempos. Tocava bateria com os Beatles em Liverpool no comecinho dos anos 60, esteve nas várias viagens do grupo a Hamburgo, na Alemanha, onde forjaram o som que mudou a música popular do Ocidente – nas horas vagas, rivalizava com John Lennon e o então baixista Stu Sutcliffe na conquista de garotas.

Quando a coisa finalmente iria rolar, acabou sendo demitido por imposição do produtor George Martin em meados de 1962, antes da gravação do primeiro compacto. Best era um baterista limitado, e o resto da banda sabia disso, mas faltava coragem para demiti-lo. A “ordem” de Martin veio a calhar e o substituto, bem melhor, Ringo Starr, ganhou o mundo.

Best foi convidado a visitar o país pela banda capixaba Clube Big Beatles, uma das mais tradicionais do país de tributo ao quarteto de Liverpool. Os fanáticos músicos já estiveram algumas vezes na Inglaterra e são considerados um dos grupos-tributo aos Beatles mais importantes do mundo.

O músico teve direito a tudo o que os gringos-celebridade sempre têm: hospedagem grátis, tietagem e a indefectível visita a uma escola de samba. Best gostou? Simplesmente adorou. Imagine então se ele visitar o Rio de Janeiro.

Best ensaia em sua casa, em Liverpool, no começo de 2010 (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Foram duas apresentações de Best em Vitória no último final de semana. Ao lado da banda Clube Big Beatles, se apresentou no sábado na casa noturna Spírito Jazz e simplesmente transformou o local em uma filial do Cavern Club, o porão de Liverpool transformado em casa de shows que foi o berço dos Beatles. A festa com o baterista dos Paralamas do Sucesso, João Barone.

No dia seguinte, foi a atração principal de uma espécie de festival realizado na parai de Camburi, sempre ao lado da Club Big Beatles e também de João Barone, reunindo perto de 10 mil pessoas, segundo a Polícia Militar.

Tanto a banda cover como Pete Best privilegiaram o repertório do começo dos Beatles, músicas dos primeiros álbuns e até versões de rocks dos anos 50 norte-americanos que serviam de base ao repertório da banda em Hamburgo. 

O convidado especial subiu ao palco no meio do show, acompanhado pelo Clube Big Beatles, e tendo duas baterias no palco, executando clássicos como “Mr. Postman” e “PS I Love You”, presentes nos dois primeiros álbuns dos Beatles. Mais tarde, surge uma terceira bateria, para Barone mostrar sua técnica apurada e se divertir na festa.

Pete Best voltou a viver como um beatle, mesmo que por um breve momento. Aliás, esses momentos são frequentes, já que ele voltou a tocar nos anos 60 ao lado de uma banda montada por ele que toca músicas próprias e também dos Beatles.

Entretanto, segundo as próprias palavras do músico, reproduzidas pela agência de notícias espanhola Efe, jamais havia sonhado que em pleno século XXI tocaria para cerca de 10 mil pessoas, já que tinha sido “excluído da história”.

Provavelmente deve ter sido o maior público de sua história como músico, e bem longe de sua terra natal, na longínqua América do Sul, e na ainda mais longínqua e fora de mão Vitória, no Espírito Santo. Se nem o mais otimista poderia imaginar o tamanho da celebração, com certeza o mais pessimista teve de engolir com areia a tal história do mico. Lendas vivas não morrem, e Pete Best é só mais um exemplo disso.

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