Estreia do Gov't Mule finalmente ganha versão nacional

Estadão

10 de janeiro de 2012 | 06h26

Marcelo Moreira

Blues pesado, southern rock com pegada firme e hard rock furioso. Tudo isso no mesmo CD, de um trio poderoso e virtuoso, como nunca apareceu na música pop. O Gov’t Mule surgiu de uma “dissidência amigável” dos Allman Brothers e chegou quebrando tudo quando colocou seu primeiro CD nas lojas, intitulado apenas “Gov’t Mule”, com uma capa de gosto duvidoso, mas que depois faria todo o sentido.

É este primeiro CD que finalmente ganha uma edição nacional 17 anos após o seu lançamento, uma obra-prima que o ouvinte brasileiro só teve acesso em cópias importadas ou piratas.  O selo responsável pelo lançamento é a Rock Brigade Records, em parceria com a Voice Music, Die Hard Records e Rock Machine Records. A parceria também vem lançando e re-lançando vários discos de diversos gêneros  – de Iced Earth até Anthrax.

A versão nacional de “Gov’t Mule” contém um encarte especial, com fotos atuais e da época do lançamento do disco, letras completas, no mesmo design que no LP original.

Formado em 1994 pelo guitarrista Warren Haynes, insatisfeito com o pouco espaço na formação dos Allman Brothers da época, o então trio era composto também por Allen Woody no baixo, que tambpem passou pelos Allman Brothers, e pelo baterista Matt Abts, conhecido músico da cena sulista americana e requisitado instrumentista de estúdio.

O primeiro álbum, “Govt Mule”, lançado em 1995, traz o que se convencionou chamar de hard blues, com músicas muito pesadas, com baixo com timbre grosso e “gordo” e bateria forte e marcante. Frequentemente o trio esbarrava no hard rock setentista, com muito peso e melodia, como na faixa “Mr. Big”, original da banda ingelsa Free. Ou então na pesadíssima “World of Difference”.

O blues tradicional apareceu com “Mother Earth” e seu peso absurdo, com uma levada de guitarra típica de Jimmy Page (ex-Led Zeppelin). O jazz aparece nas suingadas “Mule” e “Rocking Horse”.

Com sucesso crescente, virarma referência para uma série de artistas norte-americanos e seus shows se tornaram imensas jam sessions, com a presença constante de estrelas do rock. De tão gente boa que são considerados, ninguém consegue recusar um convite para gravar.

Basta ver a constelação de baixistas convidados para tocar nos projetos “Deep End I” e “Deep End II”, lançados após a morte de Woody, em 2000. Os dois álbuns, cada um duplo, contam com um baixista diferente em cada faixa. tocara, entre outros, Chris Squire (Yes), Jack Bruce (ex-Cream), John Entwistle (Who), Jason Newsted (então no Metallica), Roger Glover (Deep Purple), entre muitos outros, além do guitarrista James Hetfield na música “Drivin’ Rain”.

O substituto definitivo de Woody foi Andy Hess, conhecido músico de estúdio, mas também com passagens importantes na estrada com bandas de rock e jazz. Junto com ele veio Danny Louis, tecladista com larga experiência no meio musical do leste americano.

Como quarteto, o Gov’t Mule ganhou em técnica e expandiu os horizontes, apostando mais no jazz, no rhythm and blues e até mesmo no reggae. Tais influências ficaram patentes nos CDs “Déja Voodoo” (2004) e “HIgh and Mighty” (2006).

Formação atual do Gov't Mule

Os fãs em geral começaram a chiar com os experimentalismos – que cultminaram no álbum de remixes e músicas inéditas com tratamento reggae “Mighty High” (2007) e o grupo resolveu voltar às origens. Andy Hess, considerado muito técnico e jazzístico, deixa a banda para a chegafa de Jorgen Carlsson, que tem o boues como uma das principais influências. Com mão grande e timbre “gordo”, foi o baixista ideal para reeditar o clima de blues pesado dos anos 90. Os fãs agradeceram.

Como curiosidade, o Gov’t Mule tocou em São Paulo em 1996, no festival Nescafé Blues, na casa que então se chamava Palace (como se chama hoje?). Quem assistiu não esquece o trio de caipiras simplórios fazendo um som à la Led Zeppelin, mais lento, mas muito pesado e suingado.

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