Estreia de Adele chega ao mercado brasileiro

Estadão

27 de agosto de 2011 | 16h08

Pedro Antunes

O rosto rechonchudo pode enganar, dar um aspecto bonachão. Esqueça isso. A inglesa Adele Adkins foge de qualquer estereótipo. Quando começa a cantar, parece tirar de dentro de si uma angústia e a despeja no ouvinte sem dó. A dor e a fossa na forma de canções potentes preenchem os dois elogiados discos, 19 e 21, cujos nomes representam a idade da moça quando compôs essas canções – hoje ela tem 23 anos.

No ano passado, com o todo o falatório sobre ela, chegou ao Brasil o seu segundo e premiado trabalho. Agora, é lançado o primeiro, 19, de 2008. É com ele que Adele começou a sua estrada até o posto de pessoa mais influente da indústria fonográfica, de acordo com o tabloide britânico The Guardian, na frente de will.i.am, do Black Eyed Peas, Jay-Z e Bruno Mars. Foi com este álbum que o Reino Unido foi pego de surpresa pelo seu sofrimento, desilusão e força de sua voz.

Por conta das melodias que pendem para o soul e para o jazz, logo ela ganhou a alcunha de “nova Amy Winehouse”. E enquanto a verdadeira tentava, em vão, fazer um terceiro álbum, que nunca foi aceito pela gravadora, perdida entre os abusos de drogas e álcool, a careta Adele despontava. Ingleses e americanos, ávidos por novidades e com a mente já aberta por Winehouse, receberam bem a cantora nascida em Tottenham.

Adele reconhece a importância da cantora falecida no dia 23 julho para que hoje ela tenha dois Grammy na estante. “Amy abriu o caminho para artistas como eu”, escreveu a cantora em seu blog.

Logo com 19, ela atingiu ao primeiro lugar das paradas do Reino Unido, tendo vendido pouco mais de 1,5 milhão de discos. O seu segundo álbum está prestes a alcançar a marca de 3 milhões.

As diferenças de sonoridade entre 19 e 21 são singelas. Trata-se praticamente uma continuação natural. A cantora parece ser avessa à invencionices e se mantém fiel ao jazz e ao soul. Os acasos do mercado fonográfico brasileiro nos permite a experiência de provar a Adele consagrada, em 21, para depois conhecer a sua estreia.

Com a produção de Jim Abbiss, que trabalhou com o Arctic Monkeys, em sua estreia Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, de 2006, o disco 19 foi seu cartão de apresentação. Eles encontraram a fórmula mágica: reuniram a simplicidade musical com letras sobre corações partidos. Best For Last, segunda faixa, é o melhor exemplo disso. Por quase um minuto, é apenas Adele, na voz e no baixo. Um coral a acompanha no refrão, enquanto ela canta: “Quanto pior você me trata, mais fico persistente”.

Apesar das referências óbvias no soul e no jazz, Adele em 19 se mostra também ligada ao blues e funk, tudo de maneira contemporânea, claro. Mais do que isso: sintetiza em 12 faixas todas as referências de uma garota recém-saída da adolescência, que acabou de perder seu grande amor. É possível encontrar até pop e rock.

Falando em amor, seu ex-namorado já anunciou para os jornais ingleses que pretende pedir uma participação nos lucros dos dois álbuns, porque, segundo ele, o término do relacionamento dos dois foi o estopim para a carreira de Adele. Ela agradeceu a ele e disse apenas que “ele a tornou adulta”.

Hometown Glory, as depressivas Chasing Pavements (com o qual ela levou o Grammy de Melhor Performance Vocal Feminina) e Cold Shoulder, e a regravação Make You Feel My Love, de Bob Dylan, foram os singles de 19. Ótimas portas de entrada para o mundo de Adele. Apesar da pouca idade que tinha quando as gravou, ela já mostrava uma enorme maturidade musical.

O disco seguinte, 21, e seu sucesso – já está na 12ª semana seguida no topo dos mais vendidos da Billboard, desbancando recordes de Beatles e Madonna nesse meio tempo – é só um reflexo de um aprendizado. Adele percebeu que, ao invés de chorar no travesseiro pelo amor perdido, ela poderia expelir tudo em forma de canção. ::

LANÇAMENTO
‘19’
Adele
Sony Music
Preço: R$ 24,90

 

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