'Estou cansado do estrago que o rock fez', diz Lulu Santos

Estadão

12 de novembro de 2010 | 16h04

A entrevista abaixo foi realizada para o C2+Música, o Caderno 2 do Estadão publicado aos sábados, pelo competente jornalista Júlio Maria. Mas não resisti a fazer este adendo a respeito do ser infantil e carente que foi entrevistado.

Lulu Santos sempre foi uma das boas cabeças do rock nacional, é uma pessoa culta, não dá para deixar de reconhecer que é inteligente, mas sua boçalidade e sua arrogância o cegam e o impelem em ‘desabalada carreira’ a falar bobagens imensas. Gosta de causar, sem se importar com o tamanho das estultícies que profere.

Esse é o motivo de colocar essa pequena entrevista aqui, apenas para mostrar como o rock nacional é e sempre foi fútil, tendo Lulu e Lobão como porta-vozes de uma geração de artistas frustrados – com raras exceções. Foi para mostrar como Lulu Santos é capaz de dizer um monte de tolices. (Marcelo Moreira)

Julio Maria

‘O rock errou’, picharia Lulu Santos se tivesse de escrever nos muros o que tem feito em música. Ao lançar seu segundo projeto acústico pela MTV, Lulu 2, o músico fala dos equívocos de um gênero que parece preso a ele como uma bola de ferro no tornozelo.

“Sempre fiz pop, não rock, isso é uma confusão que todos fazem.” Seu disco agora vem aproximá-lo mais de ritmos latinos. Há regravações de “Papo Cabeça”, “Um Pro Outro”, “Dinossauros do Rock”, “Minha Vida”. Reforça o acento nordestino em Tudo Azul e traz Marina de La Riva para cantar trechos de “Adivinha o Quê?”. Lulu aqui desce até ao blues. E toca notas dissonantes.

A internet tem mudado não só a relação das pessoas com a música como a própria música. Existe quase um gênero hoje que poderíamos chamar de ‘rock de internet’. Você se imagina sendo baixado pelos jovens?

Meu melhor produto agora é minha presença em cena, o espetáculo. Esse valor não depende de internet. E certamente a internet, o catálogo telefônico do momento, vai me ajudar, as pessoas interessadas em mim vão me achar.

Sua essência são as canções, foi o que você mais fez. Elas não estão em baixa? O rock que se faz agora não rompe com isso?

Vamos esquecer rock, rock não é pop. Eu estou com saudade dos compositores de violão de nylon. Estou cansado do estrago compulsório que o rock fez, sobretudo em música popular brasileira. A necessidade da atenção se concentrar nisso, isso é uma tolice. Ana Carolina é uma rainha com canções.

 Marisa Monte é mais ou menos a mesma coisa. Seu Jorge faz sucesso. Veja lá no mercado de fora, nem Justin Bieber nem Lady Gaga têm reminiscências do rock. Rock é uma tensão hormonal que atinge uma pessoa de 17 anos. Claro que isso vende mais cópias. Veja se o mercado internacional alguma vez se interessou pela subcultura do rock brasileiro.

Lulu Santos em seu apartamento, no Rio (FOTO: WILTON JUNIOR/AE)

Mutantes?

Os Mutantes não são rock, são pop. Pop é extremamente maior do que rock. Rock é uma subcultura.

Você cansou do rock?

Inapelavelmente. O pop sempre me interessou mais.

Você é visto como integrante da geração rock anos 80, não?

Eu estou na época, mas é besteira. A Rita Lee sempre foi chamada de roqueira, mas Lança Perfume nunca vai ser um rock. É muito brasileira. Agora, eu tenho um respeito profundo pelo blues. Comecei a tocar guitarra por causa do Eric Clapton.

E o que aprendeu com ele?
Há um disco do Albert King chamado “Born Under a Bad Sign”, de 1967. Se você pegar um disco de 1969 do Cream (banda de Clapton) vai ver que os solos do King estão literalmente ali, todas as linhas que memorizei do Clapton em 1969 foram chupadas. Sem dizer que esses bateristas celtas (no caso, Ginger Baker, do Cream) demoliram a batida dos negros americanos.

Foi uma decepção?

Não, foi uma confirmação de que ouvi a versão ruim. Versão ruim, bunda, sem sal.

Os ingleses são vistos como os que salvaram os bluesmen americano, quando passaram a regravá-los nos anos 70.

Fizeram realmente esse favor, o problema é a música pesada, o excesso de volume. A Inglaterra é o túmulo do blues.

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