Especial Robert Johnson: Sr. Blues, 100 anos – parte 1

Estadão

23 Abril 2011 | 23h39

Gabriel Vituri

1938. Whisky and women, apesar de rotineiros, levaram Robert Johnson à morte em 16 de agosto daquele ano. O bluesman se apresentava ao lado dos companheiros Sonny Boy Williamson I e Honeyboy Edwards quando, atraído por olhares de uma dama, foi atrás da investida que teria lhe custado a vida.

O dono do salão, inconformado com o flerte entre sua mulher e o músico, tratou logo de providenciar um litro de uísque. Parceiros tentaram dissuadi-lo de aceitar a garrafa aberta, sem sucesso. Provavelmente envenenado, ele contraiu pneumonia e morreu três dias depois em um vilarejo próximo a Greenwood, no Mississippi, na região sudeste dos Estados Unidos.

Robert Leroy Johnson completaria 100 anos no próximo dia 8 de maio. Filho de Julia Major Dodds e Noah Johnson (amante de sua mãe e com quem ele nunca conviveu), o ícone do blues nasceu em Hazlehurst, também no Mississippi. Em 27 anos de vida, foi acusado de vender a alma ao diabo e apareceu em apenas três retratos – o último, descoberto só em 2008, hoje faz parte do acervo familiar.

Para celebrar o centenário, a Sony Music lança a coleção The Complete Original Masters – Centennial Edition, com as 29 composições do artista, um DVD e 12 discos de vinil, com réplicas dos singles lançados na época.

Inspiração para Muddy Waters, Bob Dylan, Eric Clapton, Rolling Stones e um sem-fim de estrelas, Robert Johnson é considerado um dos grandes pais do blues e de sua evolução até a chegada do rock and roll.

Autor de riffs diferentes entre si (When You Got a Good Friend, They’re Red Hot ou a clássica Sweet Home Chicago), com apenas um violão, preenchia o espaço das gravações com a marcação do baixo, solos de slide e a base da música, tudo isso misturado a uma voz compassada e profunda.

Dedicada a preservar a memória e os registros da lenda do Mississippi, a Fundação Robert Johnson – cujo presidente é Claud Johnson, o único filho do músico – promove este ano uma série de shows e outros eventos comemorativos pelos Estados Unidos.

Steven Johnson, vice-presidente da fundação e neto de Robert Johnson, falou ao Estado por email. “Meu pai não conviveu com Johnson, não o deixavam. Blues era considerado coisa do diabo mesmo.”

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