Eric Gales, o guitarrista que mesclou Hendrix e Vaughan

Estadão

09 de novembro de 2010 | 08h11

Marcelo Moreira

Eric Gales conseguiu o que milhões de guitarristas driam uma perna para conseguir: mesclar a criatividade, a técnica e a paixão de Jimi Hendrix e Stevie Ray Vaughan. Nenhum outro instrumentista conseguiu incorporar o estilo visceral dos dois gênios da guitarra.

“Relentless” é o novo álbum de Gales. Assim como os trabalhos anteriores, temos a nítida impressão de estarmos escutando Hendrix em uma faixa, Vaugham em outra, e até mesmo Johnny Winter em outra. Não se trata de um mero copiador. É um músico que soube mimetizar e até transformar suas duas grandes influências em um trabalho maduro, eficiente e de alta qualidade. Pena que permaneça ainda desconhecido do grande público.

Relentless

Não há como não se emocionar com “On the Wings Of Rock And Roll” ou vibrar com o blues pesado de “Bad Lawbreaker”. O hard blues, na linha de Gov’t Mule, aparece em “The Finest Club In Town” e “When You’ve Got No Place To Go”

Gales apareceu como um furacão aos 17 anos em 1991, quando lançou seu álbum “Eric Gales Band”. Foi o precursos dos garotos-prodígio da guitarra que infestariam o mercado do blues naquela década – Jonny Lang, Kenny Wayne Sheperd, Derek Trucks e Nathan Cavaleri, entre outros.

The Story of My Life

A estreia avassaladora, com nítidas influências no som e no visual de Jimi Hendrix (negro, exímio instrumentista e bom cantor) o transformaram em uma estrela nos Estados Unidos. Entretanto, mesmo gravado uma série de álbuns excelentes, acabou perdendo espaço por apostar em uma mesma fórmula blueseira pesada, mas sem variações e sem concessões comerciais. Foi atropelado por Lang e Shepherd, tão técnicos quanto, mas brancos e visual de galãs de Hollywood – não que isso o tenha incomodado.

“Relentless” é muito bom, mas ainda perde em termos de inspiração e qualidade para o primeiro trabaoho do guitarrista e para o anterior, “The Story of My Life”, de 2008.

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