Eric Clapton encabeça lançamentos de rock clássico

Estadão

13 de setembro de 2010 | 08h32

Marcelo Moreira

Uma enxurrada de lançamentos neste mês farão a alegria de quem gosta de blues e do rock clássico. Eric Clapton volta a um disco de músicas inéditas próprias e algumas versões em “Clapton”, seu 19º de estúdio. Traz participações de Steve Winwood, J.J. Cale, Sheryl Crow, Allen Toussaint e Wynton Marsalis.

Novo CD de Eric Clapton

Novo CD de Eric Clapton

Como sempre, a qualidade é excelente, mas não espere nada arrebatador. O repertório é bom e transita com desenvoltura pelo blues e pelo jazz. Alguns vão dizer que, por nao ter mais nada a provar, Clapton se acomodou.

Outros dirão que, justamente por não precisar provara mais nada, é que se dá ao luxo de fazer um CD sem pressa, com total liberdade de criação e controle sobre a produção. A intenção, afinal, era fazer um ótimo álbum de blues. E isso ele conseguiu. Precisa mais do que isso, mr. God?

Ouça “Autumn Leaves”, “Rocking Chair” and “When Somebody Thinks You’re Wonderful”, músicas que remetem ao que Clapton já fez de melhor.

Jerry Lee Lewis, um dos fundadores do rock’n  roll, ressuscitou após anos de hibernação e apresentações pouco memoráveis pelo mundo a partir dos anos 90. Com 55 anos de carreira, ele retorna ao mercado com “Mean Old Man”. O receita é velha: velho astro ressurge em novo álbum recheado de convidados, geralmente superastros. Funcionou com lendas do blues, como B.B. King e John Lee Hooker, mas não deu certo com Lewis.

Novo trabalho de Jerry Lee Lewis

Novo trabalho de Jerry Lee Lewis

O time que o acompanha é de primeira: Mick Jagger, Keith Richards, Ron Wood (todos dos Rolling Stones), Kid Rock, Slash, Eric Clapton, Sheryl Crow, Ringo Starr, John Fogerty (ex- Creedence Clearwater Revival), Willie Nelson e Robbie Robertson (ex-The Band), entre outros.

A produção é excelente, Lewis mantém um certo carisma, os convidados se esmeram e levantam o astral, mas o resultado final é apenas razoável. Os destaques são Mean Old Man (com Ronnie Wood),  Rockin’ My Life Away (com Kid Rock e Slash), Dead Flowers (original dos Stones, com Mick Jagger) e You Can Have Her (com Eric Clapton e James Burton).

Robbie Krieger, guitarrista dos Doors, também volta da hibernação com “Singularity”. O timbre de guitarra é inconfundível, mas faltou inspiração na mistura de pop e rock clássico com cheiro de coisa reciclada. Entretanto, o trabalho é razoável e merece ser ouvido.

Phil Collins, baterista e cantor do Genesis em sua segunda fase, aparentemente abandonou de novo a banda e s elançou em sua carreira solo com “Going Back”. Começa até promissor, bem animado e com músicas bem feitas, mas depois cai na mesmice que marcou seu trabalhos individuais mais recentes. A produção é esmerada, vale dar uma conferida, mas, por ser quem é, eu esperava mais.

"Thank You, Mr. Churchill", de Peter Frampton

Peter Frampton, guitarrista britânico, que está em turnê pelo Brasil neste mês, ganhou versão nacional de seu “Thank You Mr. Churchill”, lançado no primeiro semestre. É um passo adiante ao excelente “Fingerprints”, de 2006, quase todo instrumental. Ao contrário de Collins, Frampton voltou ao estúdio inspirado e tocando melhor do que nos anos 70. Obrigatório, um dos melhores lançamentos do ano.

Finalmente, Steve Winwood, um dos melhores cantores ingleses de todos os tempos, ex-garoto-prodígio do Spencer Davis Group, Traffic e Blind Faith, reaparece com uma fantástica coletânea em dois formatos.

“Revolutions: The Very Best of Steve Winwood” traça uma panorama de toda a carreira do cantor, guitarrista e tecladista desde 1965 até a sua bem-sucedida turnê com Eric Clapton no biênio 2008-2009. A versão simples, em um CD, traz 17 músicas, os seus maiores sucessos. A edição de luxo é uma caixa com quatro CDs e um libreto, trazendo versões pouco conhecidas para clássicos de sua carreira. Desncessário dizer que tal coletânea é obrigatória para quem gosta de rock.

"Revolutions", de Steve Winwood

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Combate Rock nº 2 – Jimi Hendrix by mmoreirasp

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