Era para ser uma celebração, mas a Legião Urbana não merecia isso

Estadão

30 de maio de 2012 | 10h00

Carlos Marcondes – especial para o Combate Rock

Não dava para esperar a ressurreição de Renato Russo e um show perfeito. Era para ser apenas uma celebração, como o nome bem dizia: Tributo à Legião Urbana. Tudo era para ser uma confraternização entre fãs e dois dos músicos originais, com um convidado especial cantando. Lotação total? Claro, afinal era uma celebração. Era o momento para relevar falhas e curtir. Pena que não foi tão legal assim.

Wagner Moura bem que tentou, mostrou certo carisma, esforço e parecia realmente estar curtindo. Mas não deu certo. Vacilante, nervoso e ansioso, errou muito e desafinou demais. Renato Russo desafinava ao vivo? Sim, como Mick Jagger já fez, como aconteceu com Robert Plant (tente ouvir algum ao vivo pirata de 1972 ou 1973 para ver como era e ficar horrorizado). Mas Moura atravessou demais o rock da Legião Urbana.

Wagner Moura, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos - JB Neto./AE

JB Neto/AE – Wagner Moura, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos no show de ontem, em São Paulo

Para quem ficou próximo ao palco a guitarra de Dado Villa-Lobos parecia desconexa e com timbragem equivocada.  Faltou cuidado com a afinação e até com a execução? Não cheg0 a tanto, mas a guitarra tinha problemas, e parece que ninguém percebeu – ou quis perceber.

Acho que eles lutaram contra a falta de entrosamento, contra o pouco tempo de ensaio e contra o amadorismo do vocalista. Seja como for, o show foi um sucesso do ponto de vista da celebração e do público; mas foi um fiasco do ponto de vista artístico. Não era necessário que Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, o baterista, se expusesem de forma tosca e, de certa forma, constrangedora. A Legião Urbana não merecia isso.

NOTA DO EDITOR: A performance de Moura foi bastante contestada pelo Facebook e pelo Twitter. As frequentes derrapadas do ator não foram perdoadas. Pelo menos cinco músicos atuantes no mercado underground, um deles vocalista, ficaram horrorizados com as desafinadas do ator/cantor, que ficaram mais evidentes pela TV. Outro percebeu claramente problemas na guitarra de Villa-Lobos e criticou a afinação – “se é que ele afinou a guitarra…”, disse escreveu constrangido, já que disse ser fã da banda. Os detratores, é óbvio, sapatearam de alegria com os defeitos que ficaram explícitos pela televisão e destruíram o show. Eu vi sete músicas na retransmissão do show, logo em seguida à exibição ao vivo. Achei bem fraco – como a banda sempre foi, a vida inteira – e houve problemas evidentes. Mas cobrar uma exibição de gala de músicos que não se juntavam havia 16 anos, sendo que o vocalista é amador e claramente inadequado, é demais. Marcondes foi feliz no começo do texto: era uma celebração e ponto. Então que analisemos apenas do ponto de vista da celebração: o show cumpriu o seu objetivo. (MARCELO MOREIRA)

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