Em clima camerístico, Esperanza Spalding lança novo álbum

Estadão

03 de novembro de 2010 | 16h18

Emanuel Bomfim – Território Eldorado

Alçada ao posto de “principal sensação do jazz atual”, Esperanza Spalding acumulou tamanha fama que até foi tocar na entrega do Nobel ao presidente Barack Obama. Não era para menos. A artista norte-americana é uma exímia baixista, sabe improvisar e canta com personalidade.

É uma ilustre representante do jazz moderno, já que também se aventura com segurança pelo universo da composição. Diferente de “Esperanza” (2008), seu novo trabalho “Chamber Music Society” traz formação erudita para estruturar arranjos intricados e muitos scats vocais.

Além de utilizar do tradicional quarteto de câmara, com violino, viola, cello e contrabaixo, Spalding está acompanhada do pianista Leo Genovese, da baterista Terri Lyne Carrington e do percussionista Quintino Cinalli para executar temas densos e nada “fáceis”.

A voz figura como instrumento de solo em quase todas as composições. Não há espaço para o “groove” mais funkeado. É um disco contemplativo e muito agradável.

O repertório é quase todo autoral. As únicas exceções são a versão de “Inútil Paisagem”, de Tom Jobim, “Chacacera”, do Genovese, o standart pop “Wild Is the Wind”, Dimitri Tiomkin e Ned Washington, e um tema feito com base no poema “Little Fly”, do poeta inglês William Blake.

Entre as participações, destaque para um dos ídolos de Esperanza: o cantor brasileiro Milton Nascimento. Juntos, eles fazem a doce “Apple Blosson”. Além de Milton, a cantora Gretchen Parlato faz uns vocalizes em “Knowledge Of Good And Evil”.

Original, “Chamber Music Society” prova que Esperanza Spalding não é mais só uma revelação. O baixo, seu instrumento de ofício, parece delinear uma música rica em variações, climas e improvisos, assim como funciona a cartilha do “jazz contemporâneo”.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: