Efterklang, o 'Arcade Fire' da Dinamarca

Estadão

28 de janeiro de 2011 | 08h28

Jotabê Medeiros

Sem filas, sem atropelos, sem badalação. Entretanto, o show é de uma das bandas mais interessantes da Europa na atualidade, a dinamarquesa Efterklang, que alguns críticos explicam como “uma espécie de Arcade Fire da Escandinávia”. De surpresa, sem alarde, eles tocam hoje pela primeira vez no Brasil, esta noite e amanhã, no recém-inaugurado Sesc Belenzinho.

O Efterklang (cujo nome significa “reverberação”, em dinamarquês) já tem uma década de estrada, e começou sob a influência dos grupos eletrônicos alemães, especialmente o Einsturzende Neubauten, segundo contou, já em São Paulo, o músico Casper Clausen.

“Quando começamos, costumávamos experimentar muito em estúdio. Sempre acreditamos que, em música, tudo é possível, que é possível aproximar extremos. Naquela época, eram os grupos alemães que pareciam apontar para as novas direções. Mas também fomos apanhados pela música de grupos como o Radiohead, que pegou a música pop que se fazia e a elevou a um nível altíssimo, a tornou ainda maior”, diz Clausen.

A banda chega a reboque do seu mais recente disco, Magical Chairs, o terceiro de sua carreira, lançado em fevereiro de 2010, e só deve lançar um novo disco em 2012, segundo afirma Clausen. “Na verdade, estamos dando um tempo, desenvolvemos muitos projetos e estamos há três anos fazendo turnês, então vamos parar por um tempo.”

Um desses projetos é um filme, An Island, dirigido pelo cineasta francês Vincent Moon, que mostra cenários e sessões acústicas da banda em seu território, as ilhas da Dinamarca. A banda está recebendo pedidos pelo seu site para as pré-estreias mundiais do filme – já são dezenas de premières agendadas, e São Paulo, segundo Clausen, já tem duas apresentações marcadas.

Os trailers da produção, que estão também no site do grupo, mostram paisagens de sonho e imagens de grande beleza com a música de fundo.

“Desde o começo, nós procuramos trabalhar em associação com um cineasta. Trabalhamos essa possibilidade de som e imagem correndo juntos. A ideia de trabalhar com imagens, para a gente, é encorajante, e o processo de fazer música é semelhante ao de fazer um filme. Considero que os aspectos visuais são muito importantes quando se trabalha com música, mas durante nossos concertos não há imagens, apenas os músicos no palco. Somos apenas nós, tocando, porque acredito que no show é importante buscar uma conexão com a plateia por meio da música”, diz.

Clausen não leva a sério a ideia de que a Dinamarca está na moda – por exemplo, por meio da globalização de sua comida, pela projeção do restaurante Noma, o melhor do mundo na atualidade; e dos filmes de Lars von Trier; dos debates ambientais.

“Todos somos um produto do meio, temos influência do lugar onde nascemos e crescemos. Mas acho que nossa música será definida pelo mundo, conforme a visão cultural de cada lugar. Vocês, que vivem do outro lado do nosso mundo, certamente terão uma visão particular da nossa música, de nossos filmes. Há uma troca nisso tudo”, considerou.

O músico acompanhou os debates da Cop15, a Conferência Mundial de Mudanças do Clima que ocupou a Dinamarca em 2009. Disse que viu tudo aquilo como “um primeiro passo”, e que apesar do “corpo mole” de algumas potências, as discussões apontaram para uma necessidade imperiosa de o mundo encontrar um jeito de se desenvolver sem agredir, sem destruir o planeta.

O Efterklang tem um núcleo principal de quatro músicos – além de Clausen, Mads Christian Brauer, Rasmus Stolberg e Thomas Kirirath Husmer. Mas, nos shows, adicionam músicos convidados (no Brasil, serão sete no palco do Sesc Belenzinho). Antes de chegarem a São Paulo, pelo Twitter, pediram sugestões de museus e atrações culturais e gastronômicas para conhecerem no seu batismo paulistano.

Segundo o artista, “honestamente”, do Brasil o único grupo que realmente conhece é o Sepultura, que é muito popular na Europa toda. Mas ele anotou a sugestão de um outro nome, Mutantes, e disse que vai procurar os discos para conhecer.

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