Edu Falaschi faz desabafo polêmico e xinga o público brasileiro com palavrões

Estadão

09 de novembro de 2011 | 06h40

Marcelo Moreira

Um dos grandes trabalhos do heavy metal deste ano é “Motion”, do Almah, banda brasileira liderada pelo vocalista Edu Falaschi (também cantando no Angra). Um senhor álbum, de qualidade alta, e músicas excelentes. O vocalista é um dos nomes mais importantes da heavy metal do Brasil.

Justamente por sua posição e por sua história é que causou grande constrangimento no meio musical nacional a sua declaração, com exclusividade, ao programa de TV web Rock Express (veja o vídeo ao final do texto) após a sua apresentação com o Almah no último sábado, no Carioca Club, em São Paulo, no 1º Metal Brasil, festival dedicado a criar o Dia do Metal Nacional.

Em um linguajar absurdo, asqueroso e nojento, recheado de palavrões e expressões ofensivas, ele desabafou no que era para ser iuma entrevista e criticou duramente a cena metálica brasileira e xingou, literalmente, o público de rock e de metal do Brasil. “Vocês, que gastam os tubos para ver e lotar shows de bandas gringas, e ignoram as bandas brasileiras, quero que morram, quero que se fodam!!!!!!”, bradou o “nobre” músico brasileiro.

Ele falou muito mais na entrevista de nove minutos, e coisas muito mais graves e pesadas. Reclamou da baixa frequência nos shows de bandas nacionais, criticou as plateias de todo o Brasil, exceção ao Nordeste, e “decretou” que o metal nacional morreu por causa dos “300 pagantes que vieram vier o 1º Metal Brasil, quando o Carioca Club deveria ter mais de 2 mil pessoas”.

Edu Falaschi, vocalista do Almah e do Angra

Em particular, xingou os roqueiros e metaleiros de Curitiba e do Sul do país, reclamando que não havia público suficiente para ver o show do Machine Head na capital do Paraná – que teve a abertura de Almah e Sepultura. “O pessoal que produziu o evento é meu amigo e eles me disseram que tomaram um prejuízo de R$ 80 mil no Paraná porque vocês não foram ver”, disse, em meio a vários palavrões.

“Todo mundo paga R$ 100, R$ 200 para ver Iron Maiden, AC/DC, sempre os mesmos que vêm ao Brasil, e se recusa a pagar R$ 20, R$ 40 para ver banda nacional. Por isso que estou de saco cheio, acho que o show de hoje (sábado) no Carioca Club, com 300 caras, é o velório do metal nacional, que morreu e está enterrado”, concluiu Falaschi, em meio a mais palavrões.

De forma bem mais ofensiva e mal-educada, Edu Falaschi, nome nundial que canta no Angra e no Almah, assumiu a posição de Thiago Bianchi, cantor do Shaman e organizador do 1º Metal Brasil, e um dos que mais coram e reclamam publicamente do cenário nacional de heavy metal e pela suposta falta de apoio do público brasileiro. Só que Bianchi jamais iria tão longe na falta de compostura e de educação, “proeza” que Falaschi lamentavelmente empreendeu.

O CombateRock, e em particular este jornalista que escreve, sempre apoiou o Angra e agora o Almah, que chega ao terceiro CD – um melhor do que outro, sendo que “Motion” é excelente.

Este site e este jornalista também apoiaram Falaschi quando ele foi massacrado por conta da apresentação caótica do Angra no Rock in Rio 2011 – a banda sofreu demais com os probelmas técnicos do palco Sunset e teve garra para superar tudo e conculuir sua apresentação de uma hora.

Nós o defendemos das imensas críticas que teria desafinado o show inteiro – o que não foi verdade. Defendemos Falaschi quando ele foi acusado de deliberadamente ter feito um show ruim porque estava de saída do Angra – e porque o Angra estava acabando, duas informações que não se confirmaram.

E o Combate Rock o apoiou quando ele fez um corajoso manifesto por escrito explicando alguns dos problemas que estavam afetando a sua carreira e que o levou a tomar decisões importantes a respeito de seu futuro.

Por tudo isso, não dá para aceitar que um personagem tão importante e tão inteligente do metal nacional e mundial cometa as atrocidades que cometeu no vídeo que pode ser visto ao final do texto. Sua depoimento-desabafo é simplesmente lamentável e asqueroso, totalmente desrespeitoso para com o público.

Não só com o públic0, mas também em relação a todo mundo que trabalha e vive de música e do metal nacional – e que não fica choramingando por causa de vendas fracas, pouca divulgação ou esquecimento da mídia. Todo mundo que trabalha com isso e gosta de música foi ofendido pelo vocalista do Angra em seu depoimento destemperado e inacreditável.

É completamente justificável e aceitável que Falaschi tenha ficado frustrado com o show de sábado e com vários eventos fracassados recentes – é bastante compreensível que se sinta impotente e irritado com esse estado de coisas. Só que de forma alguma é justificável a atitude que tomou e a forma como verbalizou toda a sua tristeza e frustração.

Não só perdeu o respeito de quem ainda admirava o seu trabalho como atraiu a antipatia de muita gente que um dia poderia vir a apoiar o Angra, o Almah e o metal nacional. Se ele queria chamar a atenção para o estado ruim do metal nacional, conseguiu, mas da pior forma possível, e da forma mais negativa possível.

A posição do Combate Rock sobre essa choraeira dos metaleiros nacionais é conhecida. Leia os textos nos seguintes links:

http://blogs.estadao.com.br/combate_rock/stay/

http://blogs.estadao.com.br/combate_rock/chega-de-choradeira-no-metal-nacional/

Bradar contra o pouco interesse do público brasileiro pelo metal nacional e reclamar da lotação dos shows internacionais e veneração pelos artistas estrangeiros não só é inútil, como burrice. É passar um atestado de incompetência.

Só o trabalho árduo e duro – como sempre Falaschi, Bianchi, o Dr. Sin e mais um milhão de bandas nacionais sempre fizeram, com todo o louvor – será capaz de inverter o quadro. Só 300 pessoas estiveram no 1º Metal Brasil? Então tratemos de cativar e manter esses fãs para ter uma base para crescer mais.

O Nordeste, na opinião do vocal do Angra, é o grande celeiro do metal nacional? Então que se as turnês das bandas brasileiras por lá sejam mais frequentes. O que não dá é para tolerar choradeira de metaleiro consagrado que quer tomar as dores de um amigo – no caso Thiago Bianchi – e acaba enfiando os pés pelas mãos.

Thiago Bianchi

Bianchi chorou bastante nos últimos meses contra essa situação, mas jamais ofendeu o público brasileiro e a cena nacional. Foi muito criticado, mas manteve sua postura e foi à luta, bancando CDs, produzindo trabalhos e incentivando e produzindo eventos como o 1º Metal Brasil e lutando pelo Dia do Metal Nacional.

Já Edu Falaschi optou por johgar seu prestígio e enterrar a sua credibilidade diante do público brasileiro. Era tudo o que o Angra não precisava. O estrago na imagem do vocalista é imenso e, creio eu, irreversível. E receio que isso resvale também no Angra.

Não consigo me lembrar de página mais triste do metal nacional. E não me lembro de uma figura pública que tenha conseguido incinerar tão rápido sua credibilidade e seu prestígio.

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