Edgard e seus dias de luta

Estadão

03 de outubro de 2010 | 07h40

A capa do disco, que virou show 20 anos depois, que virou - de novo - CD e DVD

Daniel Fernandes

Eu já expliquei aqui a minha relação com a música. Não sei nada a respeito da qualidade deste ou daquele guitarrista. Ou por que tal banda é mais interessante do que outra por conta da diferença da ‘pegada’ dos bateristas. Mas ouço música sempre e tenho uma relação absolutamente passional com ela. Então, quando escuto determinado disco, eu imediatamente lembro que ele é importante por causa de alguma coisa.

Isso aconteceu ao ouvir o disco ao vivo do Edgard Scandurra (lançado também em DVD), recente lançamento – vejam vocês – da Cultura Marcas.

E isso se aplica MUITO com o IRA! Essa foi a banda da minha juventude. Quando estava naquela fase de transição, em que meninos se transformam em homens, não parava de escutar a banda do Nasi, do Edgar, do Gaspa e do André. Especialmente a música Dias de Luta (só depois de muito tempo fui entender aquele homem….) que tinha tudo a ver com a minha fase de crescimento de pelos na cara. E de precisar arrumar emprego, passar na faculdade, enfim, começar a cuidar de mim.

A música também era importante para um pequeno grupo de jovens da Vila – não a Mariana, mas a Jaguara. Ela era meio que um hino dos meninos da Rua Artur Orlando, como eu gostava de chamar a turma do Richie (adivinhem se ele não era parecido com o cantor de Menina Veneno), do Bereba, do Bona Orelha, do Edu, do Gordinho, do Juninho, do Necão, do Jonh, do Magoo………….

É óbvio que não perdia um show do IRA! Lembro de um show próximo da ponte Cidade Jardim, aqui em São Paulo, em um lugar que era uma espécie de circo – não me perguntem detalhes, eu realmente não me lembro. O que lembro é que quando a luz acabou, o Nasi e o Edgard ficaram ali conversando com os poucos fãs que preferiram esperar a luz voltar. E ela voltou. Eu lembro que a continuação do show foi espetacular. Tudo meio improvisado, mas intenso, verdadeiro.

Mas eram os tempos em que o IRA! tocava em lugares pequenos, para pouca gente. Mas um dia eles estouraram com um disco acústico feito sob encomenda para a MTV. E depois de cinco mil anos de carreira, eles romperam relações. Edgard para um lado, Nasi para outro.

Mas a questão é que os trabalhos solos de ambos ficaram sem graça depois disso. Já escutei o que o Nasi fez e não gostei. Agora, o disco do Edgard Scandurra ao vivo – que era para comemorar os vinte anos do lançamento de Amigos Invisíveis, clássico álbum da década de 80, é frio demais. Perfeitinho demais. Eu fui ao show e escutei o disco.

E tanto cara a cara quanto de ‘orelha’ percebi a mesma coisa. O Edgard estava amarrado pela gravação do álbum. Mas o Edgard me pareceu também um pouco triste, meio perdido ali no palco tendo de dividir a função de guitarrista e vocalista.

E basta prestar atenção no timbre de voz de Jorge Du Peixe, convidado especial convocado para cantar na faixa ‘Você Não Sabe Quem Eu Sou’, para perceber que o moço que toca guitarra sente saudades do rapaz que canta. Por que eles não se acertam logo e retomam a parceria?

O que vale a pena ouvir no disco
– Culto de Amor
– Meu Mundo e Nada Mais
– Você Não Sabe Quem Eu Sou
– Tolices

O que não vale a pena ouvir no disco
– O restante, principalmente Amor em B.D.

Tudo o que sabemos sobre:

Ao VivoEdgardEdgard ScandurraIra!Nasi

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.