Ecos das novas batidas do jazz nos Estados Unidos

Estadão

01 de janeiro de 2012 | 06h33

Jotabê Medeiros

Em vez de Charlie Parker, Bill Evans ou Coltrane, suas influências são aquilo que veio bem depois: The Bad Plus, Medeski, Martin & Wood ou Brad Mehldau. Standards, para eles, podem vir agora de um disco novo de Björk ou do Radiohead. Compor música em sintonia com sua época é o mais importante, assim como compor e improvisar.

Novos jazzistas brotam em todos os clubes do mundo, e sua música criativa e desafiadora parece prometer uma nova era de ouro para o gênero. Eles continuam divididos em duas categorias: os virtuoses (de rara habilidade nos seus instrumentos) e os revolucionários. Nos Estados Unidos, berço do gênero, há um punhado de novos fenômenos: o vibrafonista Jason Adasiewicz, o baterista Tomas Fujiwara, o saxofonista Miguel Zelon, o violonista Julian Lage, os admiráveis garotos da banda Secret Architecture.

Entre os virtuoses, destaca-se o vibrafonista Jason Adasiewicz, de Chicago. É talvez o mais vibrante músico do instrumento desde que Stefon Harris surgiu. Entre os dois vibrafonistas mais famosos do jazz, Lionel Hampton e Milt Jackson, ele fica no meio do caminho: é lírico como Milt Jackson, e faz uma abordagem quase vocal (em vez de percussiva); e é um cultor do ritmo e da intensidade, como Hampton.

Adasiewicz já esteve no Brasil. Foi em fevereiro, no Sesc Pompeia, em São Paulo, acompanhando o lendário pianista Yusef Lateef. Parecia em transe tocando, e ensandeceu a plateia. Usava arcos de violino, baquetas, o diabo.

Nem todos os nomes novos que despertam atenção na cena jazzística já têm discos gravados. É o caso do combo nova-iorquino Secret Architecture, que faz “música acústica para o século 21”, como assinalou a revista JazzTimes.

Fundado pelo saxofonista escocês Fraser Campbell e pelo baterista americano Zach Mangan, é um daqueles grupos que se aglutinam em escolas de música de excelência (no caso, a Berklee School, de Boston). Residentes do Caffe Vivaldi, ponto de jazz de ponta em Nova York, destacam-se pelo senso de improvisação e composição.

A banda Secret Architecture, de Nova York (FOTO DIVULGACAO)

A modernidade do Secret Architecture chama a atenção à primeira audição de uma de suas composições originais, como The Last Song Was Freebird ou Soul for Misoula.

“Acho que estamos tentando tocar uma música que reflita o tempo que a gente viva e no qual crescemos. Dito isso, temos influência também da música que aconteceu anos atrás e temos esperanças de honrá-la. Gostamos de todo tipo de música de diversos lugares, e tentamos sintetizar tudo isso. Não estou certo se isso é moderno ou pós-moderno, mas só queremos tocar uma música que nos dê prazer e à plateia”, disse ao Estado o saxofonista Fraser Campbell.

Já o porto-riquenho (radicado nos Estados Unidos) Miguel Zenon é o novo assombro do saxofone. O mérito pela sua descoberta é de Branford Marsalis, que lançou o primeiro disco do rapaz, Alma Adentro: The Puerto Rican Songbook. Vindo também da Berklee School, já tocou com Ray Barretto e Charlie Haden e sua fama já o precede.

Para Zach Mangan, do Secret Architecture, a questão das influências hoje é um pouco mais complicada, tudo é difuso e o acesso à música multicultural já não é só para iniciados. “Nos dias de hoje, em nossa era, acho que é difícil não ser influenciado por toda a grande música do mundo, seja ela eletrônica escandinava ou ritmos de rua do Brasil.”

Com apenas 24 anos, o violonista e guitarrista americano Julian Lage tem uma biografia espantosa: já tocou com Pat Metheny, Toots Thielemans, Carlos Santana e David Grisman, entre outros. É o que antigamente se chamava “criança prodígio”: suas habilidades já eram conhecidas aos 5 anos de idade e, em 1997, sua história foi contada num documentário, Jules at Eight, que foi indicado para o Oscar.

Conhecê-lo, hoje, é conhecer as probabilidades do futuro – e seu disco de estreia, Sounding Point, pela Emarcy, é unanimidade crítica.
Outro que tem disco novo na praça é o baterista Tomas Fujiwara, de Boston, e sua banda The Hook Up (selo Thursday).

Fujiwara é o mais experimental e agressivo dos colegas. “As composições de Fujiwara casam a elegância do postbop com o groove propulsivo e a abstração sutil”, disse a revista Time Out nova-iorquina. Sua banda, um quinteto, acaba de lançar The Air Is Different (selo 482Music), e ele tem encantado plateias em jazz venues de Nova York.

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