Ecliptyka atinge o equilíbrio entre peso, agressividade e suavidade

Estadão

20 de janeiro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Instrumental pesado, vocais femininos angelicais e letras engajadas e agressivas, ainda que um tanto ingênuas. A descrição pode ser aplicada a uma centena de bandas europeias que surgiram nos anos 2000 na trilha de Nightwish e Evanescence, sendo que a imensa maioria ficou pelo caminho ou não conseguiu sair do underground.

Uma banda do interior de São Paulo tenta quebrar a escrita, ao menos no Brasil. Enquanto o Shadowside, com os vocais de Dani Nolden ataca no heavy metal tradicional, com um vocal mais agressivo, e o Holiness aposta em uma linha mais melódica, o Ecliptyka, de Jundiaí, não tem medo de seguir o caminho do After Forever (Holanda), Elis (Lichtenstein) ou Edenbridge (Áustria).

O som da banda paulista é bem pesado e muito técnico. Em um primeiro momento os vocais doces de Helena Martins parecem não combinar com power metal encorpado do instrumental, mas aos poucos é possível notar que a voz da moça consegue encontrar o ponto de equilíbrio na maioria das faixas do único álbum, o bom e interessante “Tales of Decadence”, lançado no Brasil pela Die Hard Records. A maioria das músicas fala sobre a destruição do Planeta pelo ser humano, crueldade contra animais, política e guerra.

O cartão de visitas é a ótima música “We Are the Same”, agressiva e pesada com uma letra utópica, mas contundente. A participação especial do cantor Marcello Carvalho fazendo as vozes guturais do death metal fazem um contraponto bem legal com o estilo de Helena, que dá a impressão de não conseguir acompanhar a velocidade instaurada pela banda.

“Dead Eyes” já evidencia a tendência do Ecliptyka de enveredar pelo metal progressivo, em alguns momentos lembrando os também paulistas Mindflow e Maestrick. Helena Martins eleva um pouco mais o tom e mostra-se mais à vontade, fazendo pelos duelos com a parede de guitarras de Guilherme Bollini e Helio Valisc.

“Splendid Cradle” d “Fight Back” são outros destaques, pesadas e cadenciadas, mas um intenso trabalho de produção e composição. Há ainda uma versão em português para “Splendid Cradle”, “Berço Esplêndido”, que consegue manter a pegada da original.

Enquanto Holiness e Shadowside já estão voando e conquistando um espaço bacana, o Ecliptyka, formado em 1998, só agora começa a decolar, lastreado na boa qualidade de “Tales of Decadence”. Vai encontrar uma concorrência de peso com a banda Ravenland, também de São Paulo, mas mostra qualidades para evoluir e despontar.

 

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