‘É bom estar de volta’, diz vocalista do Cake

Estadão

25 de agosto de 2011 | 12h00

Pedro Antunes

Quando John McCrea estava prestes a lançar seu sexto álbum, Showroom of Compassion, este ano, sentiu uma aflição percorrendo seu corpo. Como o verso do segundo single do disco, “It´s been a long time” (“faz muito tempo”, em tradução livre). O último trabalho de inéditas do grupo de Sacramento, na Califórnia (EUA), foi Pressure Chief, lançado há sete anos.

“Achei que as pessoas já tivessem nos esquecido”, disse o músico, em entrevista por telefone. Mas o retorno não poderia ter sido melhor, com o primeiro lugar na lista dos mais vendidos da Billboard, na semana de lançamento. “Isso foi inesperado. Sabe, não somos o tipo de banda que lidera as paradas de vendas”, comentou. Na conversa, McCrea falou sobre sua preocupação com o meio ambiente, explicou o motivo da demora para lançar o álbum e ainda mostrou que entende de música brasileira.

JORNAL DA TARDE: Foram sete anos desde o último disco de vocês, ‘Pressure Chief’. O que aconteceu?
JOHN MCCREA:
Nós tivemos que nos reconfigurar. Tivemos que encontrar uma maneira de sair da Columbia Records. As grandes companhias fonográficas estão passando por momentos conturbados. Antigamente, esse era o único jeito de acontecer na música: mandando uma gravação sua para a gravadora. Mas eu não queria mais trabalhar para pagar o salário de pessoas corporativas de Nova York.

JT: Vocês cogitaram selos menores?
JC:
Até pensamos. Decidimos criar o nosso selo, o Upbeat Records.
É duro ter que pensar em divulgação, distribuição, além da parte artística, não?
O que mais poderíamos fazer? Temos que crescer. Não estamos nos anos 70. Não dá só para tocar, ir para a TV e usar drogas.

JT: Mas a internet ajuda, não?
JC:
A internet é uma incrível oportunidade para que os músicos possam ter mais poderes sobre os seus trabalhos e destinos. Mas também é preciso trabalhar mais.
Mas a recompensa, no caso de vocês, veio com o primeiro lugar nas paradas.
Nossa, essa foi uma grande surpresa. É bom estar de volta. Acho que foi o momento em que lançamos o álbum. Não somos uma banda que lidera as paradas. Lançamos e não estávamos tão confiantes assim. Eu achava que as pessoas já tinham se esquecido da gente. Hoje aparece uma banda nova a cada 30 segundos!

JT: Sobre o estúdio de vocês, é verdade que é todo configurado para usar energia solar?
JC:
Voltamos de uma viagem pela Alemanha, que é sempre nublada e fria. Descobrimos que eles são os primeiros no mundo em aproveitamento de energia solar. Ficamos envergonhados. Estamos na Califórnia! Aqui tem sol sempre!

JT: Vocês fizeram uma versão de ‘I Will Survive’, um cover de Gloria Gaynor. Como é a sua relação com a música: amor ou ódio?
JC:
(Ele faz uma pausa). Estamos dando um tempo com ela. Acho que voltaremos este ano. A minha versão tem mais raiva. Achamos que seria uma piada, quando gravamos. Mas sofremos até um pouco de preconceito, por ser uma música negra, e não somos negros. Isso acontece aí também?

JT: Já aconteceu muito. Não sei dizer se ainda existe muito racismo musical por aqui. Aliás, você conhece um pouco de música brasileira, certo?
JC:
Bastante! Gosto muito do Tom Zé. Sempre fui muito fã dele. Da última vez que fomos aí, acho que há uns quatro anos, eu consegui encontrá-lo e gravamos uma música, mas ainda está incompleta.

JT: Gosta de mais alguém?
JC:
Sim. Gosto de Tim Maia, sou muito fã da Gal Costa, de coisas mais antigas dela. Também sou amigo do pessoal do Los Hermanos. Aliás, como eles estão?

JT: Na verdade, eles deram um tempo. Com qual deles você teve mais contato?
JC:
Com Marcelo Camelo. Quando nos conhecemos, ele me dizia que queria sair em carreira solo. Eu disse a ele que era uma boa ideia. Ele está indo bem?

JT: Olha, ele lançou seu segundo disco solo, ‘Toque Dela’, este ano.
JC:
Ótimo. Vou procurar ouvir! Ele é um compositor nato. E compositores querem escrever o máximo de música possível. A carreira solo pode ser melhor para isso.

JT: Chegaram a cogitar a presença de vocês em algum dos festivais brasileiros deste ano. Vai rolar?
JC:
Pensávamos que iríamos esse ano. Estava nos planos. Você precisa perguntar isso aos produtores daí. Diga que topamos!

Tudo o que sabemos sobre:

Cake

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: