Duran Duran volta em forma com novo trabalho

Estadão

07 de maio de 2011 | 13h00

Pedro Antunes

Viva o momento. All You Need is Now. O nome do 13º disco dos ingleses do Duran Duran não poderia ser mais apropriado. Assim como o primeiro refrão da faixa de abertura: “And you sway in the moon / The way you did when you were younger / When we told everybody / All you need is now” (“E você desliza pela Lua / Do jeito que você fazia quando era jovem / Quando nós dizíamos a todos / Tudo o que você precisa é o agora”), canta Simon Le Bon, com uma voz sintetizada, bem anos 80, acompanhado dos teclados eletrizantes, toques pontuais de guitarra e baixo e bateria secos, marcando o ritmo crescente.

É um sentimento juvenil, quase adolescente. Um discurso, aparentemente, desconexo com a idade dos integrantes da banda favorita de Lady Di, todos quarentões.

 O que é de se espantar é que essa ideia nunca pareceu tão acertada para o Duran Duran. Depois de anos e anos de experimentalismos, algum sucesso e muitas idas e vindas dos integrantes, o grupo reencontrou o caminho da excelência.

Depois de Duran Duran (1981) e Rio (1982), a banda sofreu para encontrar um rumo. A cada novo disco, outra encruzilhada. Simon Le Bon e companhia buscaram um caminho diferente, uma sonoridade nova. E na maioria das vezes, se equivocaram.

O ápice dos equívocos chegou com Red Carpet Massacre (2007), produzido por Timbaland (Justin Timberlake, Chris Brown, Nelly Furtado, entre outros). À revista virtual inglesa The Quietus, o baixista John Taylor resumiu essa fase como um pesadelo.

Em entrevista ao JT, o tecladista da banda, Nick Rhodes, riu da reação do amigo. “Acho que para o John foi muito mais difícil. O Timbaland não gosta de instrumentos de corda. E isso dificultou muito a conexão com a banda. Foi totalmente diferente com Mark Ronson”, diz, fazendo referência ao produtor do novo disco, que já trabalhou, por exemplo, com Amy Winehouse.

Ronson é conhecido do Duran Duran há três anos, desde um show que fizeram juntos, em Paris. “Tivemos uma ligação muito forte. E dissemos: ‘precisamos voltar a trabalhar juntos’”, explica Rhodes. Ouvir All You Need is Now é perceber que a banda está à vontade no estúdio. “E estávamos, mesmo! O Mark tem uma grande personalidade e entende muito de música. Vez ou outra ele dizia: ‘que tal fazermos esse trecho dessa maneira?’. E aquilo era perfeito para nós”.

O ponto chave para a volta às origens foi uma frase dita por Ronson logo no início das gravações: “Sejam Duran Duran”. “Cara, aquilo foi importante para a gente. Foi como se voltássemos ao manifesto de criação da banda”, comenta Rhodes. “De repente, percebemos como as coisas eram fáceis”.

Mas, então, por que antes eram complicadas? “É difícil dizer. Simplesmente não víamos a nossa música dessa maneira. Costumo dizer que, se pudéssemos ter feito isso antes, teríamos feito”, completa.

Até por isso, All You Need Is Now se encaixa tão perfeitamente à nova (velha) fase do Duran Duran. São jovens de 40 e tantos anos, fazendo uma música perfeita para os anos 80 em pleno 2011. Contradições dignas de uma banda que conseguiu, aos 33 anos de existência, se reinventar com uma volta ao passado.

“Nos últimos 15 anos, procuramos novas coisas, mas perdemos nossas próprias referências. Neste momento, conseguimos ver o que foi erro e acerto. Acho que foi o melhor álbum que fazemos em anos”, sentencia Rhodes. E, para isso, o melhor é viver o momento.

Formação atual da banda

Tudo o que sabemos sobre:

Duran Duran

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.