Duran Duran volta a fazer o que sabe

Estadão

06 de maio de 2011 | 18h30

Pedro Antunes

Foi um longo caminho de experimentações sem sentido. Um ápice terrível com Red Carpet Massacre, de 2007, com a produção do midas do R&B Timbaland. Não era um disco ruim, de todo modo, mas também não era Duran Duran.

Com o lançamento de All You Need Is Now e aproveitando-se desse movimento de volta aos anos 80 – não necessariamente nessa ordem – a banda voltou com tudo – inclusive com uma apresentação no festival Coachella, na Califórnia, há duas semanas, ao lado de bambambãs como The Strokes e Kanye West.

O 13º disco da banda completa uma trilogia iniciada com Duran Duran, de 1981, seguida pelo excelente Rio, do ano seguinte. Todo o resto, os dez álbuns que sobraram, parecem ter sido pedras gigantescas no caminho de uma caminhada iniciada de forma promissora, mas que se perdeu entre experiências desastradas e mudanças de integrantes.

O grupo agora soa seguro de si. Mesmo nos momentos mais fracos do disco, percebe-se que não houve invencionices. Um arroz e feijão bem feito. No caso dos britânicos, um fish & chips clássico. O que se volta a ouvir no álbum, porém, é a velha receita de sucessos de new wave, letras melosas e juvenis. A essência do disco é essa. Uma audaciosa proposta de tentar se desligar de tudo o que já foi ouvido do Duran Duran nos últimos anos.

A música de abertura, que também dá nome ao disco, é um aviso. Um synthpop, como manda a regra, cujos teclados de Nick Rhodes e a voz distorcida de Simon Le Bon nos levam de volta aos anos 80. O disco não perde a característica dançante nas duas músicas seguintes – são poucos os momentos em que isso acontece, aliás –, mas as letras deixam de ser adolescentes.

 Blame The Machines e a densa Being Followed são críticas à sociedade tão dominada pelas máquinas e pela sensação que as pessoas têm de serem perseguidos pela tecnologia. Chega a balada Leave a Ligh On, que, num grande show, será responsável por aquele momento em que todos da plateia acendem seus isqueiros – ou celulares – e cantam o refrão meloso com Simon Le Bon.

O octeto de cordas em A Diamond in the Mind, The Man Who Stole a Leopard e na instrumental Return to Know soa pretensioso demais para um disco que se propõe a ser simples.

São pontos baixos, sim, mas esperados. Eles estão voltando à velha forma. Melhor maneira de se perceber isso é na eletrizante e pueril Girl Panic!, que cheira a adolescente com medo de falar com garotas. Uma letra juvenil que, por incrível que pareça, não soa estranha mesmo cantada por quarentões. Afinal, eles estão fazendo o que melhor sabem.

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