Dream Theater traz ao Brasil novo baterista e ‘respeito ao legado’

Estadão

25 de agosto de 2012 | 07h00

IURI PITTA – O Estado de S.Paulo

 A banda Dream Theater chega ao Brasil para turnê própria - Divulgação

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A banda Dream Theater chega ao Brasil para turnê própria

Os fãs brasileiros estão avaliando ao vivo a “dramática mudança” que a banda de metal progressivo Dream Theater passou desde a última passagem do grupo pelo País, em 2008.

 A turnê de divulgação do álbum A Dramatic Turn of Events ­– o primeiro gravado após a saída do baterista fundador Mike Portnoy – chega ao Brasil com pouco mais de duas horas de repertório por apresentação e, como promete o guitarrista e também fundador da banda John Petrucci, músicas de toda a discografia do DT (apelido da banda entre os fãs) e a mesma precisão e virtuosismo na bateria, agora comandada pelas baquetas de Mike Mangini.

“Mike tem sido muito bem recebido pelos fãs desde sua estreia em shows, na turnê europeia”, contou Petrucci ao Estado, por telefone. “Ele é um exímio baterista e tem se apresentado muito bem. Vocês aí no Brasil não vão se decepcionar.”

Pode soar exagerada essa atenção, mas faz todo o sentido quando se fala de Dream Theater, uma banda que preza pelo virtuosismo e pela técnica de suas composições – características que explicam por que uma pessoa não vê graça em músicas que podem durar mais de 20 minutos e outra idolatra o grupo e é capaz de cantarolar os mais complexos solos de guitarra, teclado ou baixo.

As palavras do próprio Petrucci ajudam a entender isso, quando ele compara as apresentações do Dream Theater às do G3, trio de guitarristas do qual faz parte com os também virtuoses Joe Satriani (hoje na banda Chickenfoot) e Steve Morse (do Deep Purple e Dixie Dregs). “Os shows do G3 são mais improvisados, enquanto no Dream Theater é preciso respeitar o legado e a história do ‘império’ Dream Theater”, definiu o guitarrista.

Não se trata de arrogância, afinal, são 23 anos desde o lançamento de When Dream And Day Unite e um séquito de fãs que deram recentemente um exemplo do quanto veneram a banda.

Uma enquete no site da revista americana Rolling Stone sobre os melhores álbuns de rock progressivo terminou com Metropolis Pt 2: Scenes From A Memory na liderança – a publicação não quis incluir outros quatro álbuns no top 10 porque a banda pediu votos em seu site oficial. Seja como for, a própria Rolling Stone reconheceu a força da “inundação de votos” dos DT-maníacos mundo afora.

No Brasil, a banda começou a ser conhecida com o segundo álbum, Images And Words (1992), e tocou ao vivo pela primeira vez em 1997. Passados 15 anos desde essa turnê de estreia em palcos brasileiros, (na turnê de A Change Of Seasons), os seguidores da banda só aumentam. Petrucci ainda se lembra dos shows de 1997. “Já houve uma grande receptividade dos fãs, e isso só aumentou. Eu lembro que quem promoveu os shows foi o (baterista) Jonathan Mover. Engraçado isso, não?”, disse.

Para entender melhor o comentário, uma explicação. Na época, Mover já era consagrado, havia tocado com nomes como Satriani, Steve Vai, Steve Howe, Mick Jagger e Aretha Franklin, enquanto Portnoy despontava como um baterista fora de série, mas ainda levaria alguns anos para ser uma unanimidade entre os fãs de metal e rock progressivo.

Além da presença de Mangini na bateria, outra novidade desta turnê no Brasil é a inclusão de duas cidades onde o Dream Theater ainda não havia tocado: Belo Horizonte e Brasília. A banda acabou de gravar um DVD nas duas apresentações de Buenos Aires, em que houve tempo para Mangini apresentar seu cartão de visitas em um solo, sempre antes de A Fortune In Lies.

Do álbum novo, são músicas fixas do repertório Bridges In The Sky, que abre o show, Outcry e o single On The Backs Of Angels. Para o final, as opções são Pull Me Under ou Metropolis Pt. 1, ambas de Images And Words, que completou 20 anos em julho passado. Seja nas músicas mais recentes ou nos clássicos, o Dream Theater vai mostrar a combinação de virtuosismo com o peso do metal que seus fãs esperam – e cultuam.

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