Documentário conta parte da história das mulheres no metal brasileiro

Estadão

30 Setembro 2013 | 07h00

Marcelo Moreira

Mulheres no metal contam-se nos dedos no Brasil. Nervosa, Panndora, Dani Nolden (Shadowsinde) e mais umas seis ou sete por aí. Pelo menos é essa a impressão que temos quando falamos no assunto. O machismo ainda dá o tom, mas uma jornalista mineira e amante do metal mostrou que tem muito mais meninas caindo d cabeça no som pesado do que se imagina.

“Mulheres no Metal” é a iniciativa de Gracielle Fonseca, um documentário curto, mas bastante informativo, a respeito da presença feminina nos palcos brasileiros do som pesado. Integrante do grupo que realizou o interessante filme “Ruídos das Minas”, sobre o rock pesado em Minas Gerais, a jornalista mineira fez uma extensa pesquisa e conseguiu, mesmo diante de pouquíssimos recursos, obter depoimentos de importantes bandas só de mulheres que fizeram heavy metal ao longos dos últimos 30 anos.

Gracielle Fonseca (FOTO: Arquivo pessoal)

Em entrevista publicada na revista Comando Rock, Gracielle fiz quer a ideia surgiu justamente quando ela finalizada co os amigos de faculdade o “Ruídos das Minas”. “Faltava um olhar diferenciado e mais informação a respeito do heavy metal feito por mulheres no Brasil. Quem formava a banda Placenta, de MInas Gerais, uma das pioneiras bandas de mulheres no Brasil? Quem tocou na Flammea, no Volkana e em outras bandas importantes dos anos 80. Foi legal resgatar essas informações.”

Mesmo sendo uma pessoa crítica a respeito dos limites e das restrições impostas às meninas em um ambiente notadamente machista, a jornalista reconhece que a presença da mulher no metal sempre foi menor do que deveria ser em razão do “controle familiar dentro da sociedade machista e patriarcal foi um fator decisivo para inibir, ao menos parcialmente, a presença das meninas nos shows e nos locais frequentados por apreciadores de rock pesado”. “Tenho 28 anos e meu pai só me deixou ir ao primeiro show de metal com 17 anos, em 2002, pleno século XXI. Imagine então como era complicado frequentar locais do rock pesado nos anos 70 e 80.”

“Mulheres no Metal” foi feito praticamente sem apoio. Gracielle Fonseca conseguiu a adesão de uma ONG (Organização Não-Governamental), a Associação Imagem Comunitária, que emprestou alguns equipamentos e softwares de edição. Outra ajuda importante foi da Produto Novo, produtora de Belo Horizonte, na hora de finalizar a obra. Que o exemplo da jornalista mineira seja seguido e que mais documentários sobre o rock surjam em todo o país. Confira abaixo o documentário, que está disponível na internet.