Doce melancolia de Pitty com o seu Agridoce

Estadão

25 de dezembro de 2011 | 06h42

Pedro Antunes

Dois amigos, um violão, um piano. Férias, nada para fazer, os outros amigos viajando. Pitty Leone ligou para o guitarrista de sua banda, Martin Mendezz: “E aí, tá fazendo o quê?”, pergunta ela. “Nada”, é a resposta que vem do outro lado da linha. “Então, vem pra cá, ficamos de bobeira por aqui”, disse a cantora. Como resultado do ócio, os dois baianos não demoraram para pegar os instrumentos e começar a brincar.

Desses descompromissados encontros, há um ano e meio, surgiu Agridoce, um projeto paralelo dos dois. “Na época, não era nem um projeto. Começou a bater uma abstinência”, explica Pitty. Em julho, decidiram colocar a faixa Dançando no Myspace (site de compartilhamento de música para se ouvir em streaming).

Logo, e involuntariamente, garante a dupla, o Agridoce se tornou um projeto de fato. “Todos começaram a falar sobre isso, que era um projeto paralelo. Mas não era nada disso. Ficamos meio cabreiros”, explica Pitty. Martin completa: “Tudo se tornou um projeto só depois, o Agridoce se impôs sozinho”. Com produção de Rafael Ramos, o responsável pelo selo Vigilante – braço de discos alternativos da Deck –, Agridoce cresceu, ganhou 12 faixas, evoluiu, tomou forma física e chega agora às lojas.

É um disco que foge de tudo o que já se ouviu de Pitty e Martin, cujo projeto com Eduardo, baterista e também componente da banda da baiana, é rock puro. É algo definido por Pitty, a princípio, como “fofolk”. “Escrevi isso no Myspace. Era uma brincadeira e, de repente, as pessoas já estavam falando que o nosso som é esse. Que estamos criando um novo gênero. Isso não existe!”, diz Pitty.

A dupla Pitty e Martin lançam o disco Agridoce FOTO: Caroline Bittencourt / DIVULGAÇÃO

No início, nesta primeira versão, com a voz suave de Pitty cantando “O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você”, acompanhada por um delicado violão de Martin, o gênero faria sentido: era fofo, era folk. “Quando fomos gravar, deixamos as músicas seguirem seus próprios caminhos. Ainda estou meio confuso para tentar entender em que o nosso som se transformou”, diz o guitarrista, que também renega o novo gênero.

O disco ganhou vida em agosto deste ano, com a ajuda de Rafael Ramos. “Ele nos ligou e falou que queria fazer um disco com as músicas”, conta Martin. “Não gostamos muito. Era o nosso projetinho”, completa.

Pitty diz que os três encontraram uma casa na Serra da Cantareira e lá se estabeleceram por 22 dias. “Deixamos os instrumentos lá. Com microfones espalhados pela casa. Vimos que poderia se tornar um disco, sabe? Até para registrar, para dar carinho para essas músicas”, diz ela.

Desplugar os instrumentos, desligar as pedaleiras é algo que tipos como Eddie Vedder (Pearl Jam), Frank Black (Pixies) e Chris Cornell (Soundgarden) já fizeram. O último, inclusive, toca hoje no SWU, às 18h30, só com voz e violão. “Sabe, sempre achei legal isso”, diz a cantora. “É experimentar novas sonoridades. Mostra que tem muito mais coisa ali do que estamos acostumados. É tudo questão de ter vontade.” Ou, no caso de Pitty e Martin, tempo livre.

 

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