Dirty Projectors, estranhos e belos

Estadão

07 de novembro de 2012 | 12h00

Jotabê Medeiros

Parece uma colisão do Wings de Paul e Linda com o Talking Heads de David Byrne, mas é mais assimétrico, estranho, causa um efeito meio apoplético. Swing Lo Magellan, sexto álbum do Dirty Projectors, seria uma das melhores notícias fonográficas do ano – mas a notícia é melhor ainda, a banda vem tocar o disco aqui, dia 30, no Cine Joia.

Liderado pelo vocal sincopado do esquisito David Longstreth, o grupo alterna coros femininos celestiais com digressões e distorções, e o efeito é chapante. Como Animal Collective e Fleet Foxes, inserem-se numa corrente de bandas hipsters que se detêm em um tipo de sensibilidade pop diferente, centrada nos contrapontos vocais, e sem medo de incomodar os ouvidos, de soar desigual.

A lírica entre doce e violenta de canções como Gun Has No Trigger, a melhor do álbum (Você aponta uma arma para sua cabeça/Mas a arma não tem gatilho); a percussão cardíaca de About To Die; a marcação de palmas típica de música para tocar no metrô de Just From Chevron (que também poderia ser canção do grupo Au Revoir Simone): tudo conspira para fazer desse disco uma obra-prima.

Swing Lo Magellan, a faixa-título, evoca alguns dos momentos mais líricos de Lou Reed com o Velvet Underground. Longstreth faz letras que parecem frases grafitadas em fábricas abandonadas, mas que têm grande impacto crítico, como The Socialites, na qual investe contra os esnobes.

Chama a atenção sua integridade de compositor e de frontman, um cara que não faz menção de cristalizar uma fórmula, mas de jogar-se na escuridão da próxima música. É show de não se perder.

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