Dinho Ouro Preto: CD de covers sem pretensão

Estadão

29 de abril de 2012 | 12h30

Julio Maria

Algumas crueldades são bem típicas no universo do rock. Aqui, diferente das cantoras de samba ou dos músicos de jazz, intérpretes de canções alheias não costumam ir longe.

Em geral, gravar aquilo que não é seu, sobretudo o que já está consagrado, coloca o artista a andar no fio de uma navalha afiada. Os que chegam até o fim fazem ‘releituras’. Os que escorregam no meio viram cover. Nada comparado ao ato de viver de suas próprias canções.

Sem filosofar muito, Dinho Ouro Preto resolveu tirar os pesos das costas, apanhou o violão e procurou canções que acomodassem bem em sua voz, algo distante do que faria com seus amigos do Capital Inicial. Acabou por fazer um disco leve, com músicas em inglês de gente que, aparentemente, só dividiria um mesmo álbum por equívoco.

(FOTO: DIVULGAÇÃO)

Criou um conceito para amarrar aquelas pontas todas (representando as últimas cinco décadas do rock) e colocou o nome de Black Heart. A história ali não é a de mostrar suas influências, até porque não constam nem AC/DC nem Soundgarden. Dinho foi a outros heróis e passeou por eles sem pretensões.

Fez um disco mais ‘de covers’ do que ‘de releituras’, sem o peso de sonhar por críticas arrebatadoras nos jornais. Há bons resultados, como Hallelujah, (Leonard Cohen), Nothing Compares 2 U (escrita por Prince para Sinéad O’Connor), Suspicious Mind (do repertório de Elvis) e There Is A Light That Never Goes Out, de Morrissey. Diversão, só diversão.

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