Desenho 'Yellow Submarine', dos Beatles, será relançado em Blu-Ray

Estadão

22 de março de 2012 | 07h00

Marcelo Moreira

O único produto áudio-visual de qualidade da carreira dos Beatles vai ganhar novas edições em DVD e Blu-Ray. “Yellow Submarine”, desenho animado produzido com a chancela da banda em 1968 , será relançado pela Apple Corps. com novo tratamento de imagem e diversos extras, segundo o jornal inglês The Guardian. Deverá chegar às lojas em 28 de maio, junto ao CD com a trilha sonora, que passará por nova masterizãção e mixagem.

Lançada no Brasil ao mesmo tempo que na na Europa e nos Estados Unidos, “Submarino Amarelo” fez grande sucesso, embora tenha sido tratado até a meados da década de 70 por parte do meio cultural do país como mero desenho animado infantil. A animação foi dirigida por George Dunning e infouenciou toda uma geração de desenhistas e produtores até os anos 80, além de criar um padrão largamente copiado

A última edição em DVD conhecida do filme data da década de 90 nos Estados Unidos. Fora de catálogo há anos, voltará com novidades, entre as quais um novo tratamento de imagem ao filme, frame a frame.

No Blu-ray, o espectador contará com o trailer original da época, entrevistas, adesivos, esboços feitos a lápis e um documentário de bastidores chamado Mod Odyssey, além de um ensaio de 16 páginas escrito por John Lasseter, fundador da Pixar. 

Por outro lado, uma nova versão em 3D de “Yellow Submarine”, com direção de Robert Zemeckis, foi descartado pela Disney no ano passado, e o diretor busca apoio para lançá-lo por outra companhia. 

 O desenho animado é considerada a produção em imagem mais bem-sucedida dos Beatles, tanto em qualidade como em termos comerciais. Os dois primeiros filmes, “Hard Day’s Night” e “Help”, foram os precursores dos videoclipes, mas não passam disso, embora Richard Lester, o diretor das duas obras, tenha se esforçado por dar sentido a roteiros ruins e atuações sofríveis.

Já “Magical Mistery Tour”, feito para a TV em 1967, foi um projeto fracassado, sem pé nem cabeça, assumido no meio do caminho por Paul McCartney, que brincou de ser diretor de filme. Não deu certo. “Yellow Submarine”, o desenho, conseguiu de forma inequívoca à época captar o espírito da psicodelia e se tornou um símbolo de toda uma era cultural.

Os Beatles não se interessaram por Yellow Submarine e ficaram alheios ao projeto e ao álbum

Já a trilha sonora, que se transformou no álbum homônimo, de 1968, refletiu a desagregação dos Beatles, cujos sinais começaram a aparecer no ano anterior. Nenhum dos quatro se interessou em se envolver no projeto, seja no filme ou no álbum. É conhecida a história que a única contribuição de John Lennon ao roteiro foi ligar às 3h da manhã ao diretor do filme e sugerir que o Ringo Starr fosse seguido em bosque por um submarino amarelo – sugestão acatada.

Já a trilha é bem fraca. O lado A do vinil tinha a faixa-título, lançada dois anos anos no álbum “Revolver”, e mais seis músicas que eram sobras de estúdio e composições descartadas, como “Hey Bulldog”, de Lennon e McCartney, e “Only Northern Song”, de George Harrison.

O lado B do vinil é o cúmulo do desleixo e da falta de comprometimento: foi preenchido com sete temas incidentais compostos por George Martin, o grande produtor dos Beatles, com execução de uma orquestra da própria EMI, a antiga gravadora do grupo.

Mesmo assim, a trilha sonora teve bons resultados comerciais – como quase tudo o que os Beatles fizeram – e continuou vendendo bem nos nos 20 anos seguintes, tanto em vinil como em CD.

 

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