Depois da tempestade: o filme de McCartney sobre o 11 de setembro

Estadão

22 de maio de 2011 | 18h30

Flavia Guerra

1964. Toca o telefone na casa de Albert Maysles, nos EUA. Do outro lado da linha, a pergunta: “Os Beatles vão fazer sua primeira turnê aí. Você não quer filmar isso?”. Maysles, que na época já era respeitado diretor mas não tinha filmado o antológico Gimme Shelter, disse que ia pensar no assunto e consultou o irmão David Maysles: “Convidaram a gente para filmar um tal de Beatles. Eles são bons?”.

Assim começa a história de Albert Maysles (foto) com os Beatles e, principalmente, com Paul McCartney. Assim nasce o histórico The Beatles: The First US Visit, que registra a primeira passagem do quarteto por terras americanas, lançado em 1999.

“Meu irmão já era amigo do Paul e disse na hora que tínhamos que aceitar porque os caras tocavam bem. Quem imaginava que seria aquele fenômeno? Quem imaginava que hoje, mais de 40 anos depois, eu estaria ainda trabalhando com Paul?”, disse o octogenário diretor ao Estado na semana passada, quando esteve em São Paulo para mostrar seus filmes no festival In-Edit de documentários sobre música.

Na lista, além de Gimme Shelter, estava a versão do diretor de The First US Visit. Rebatizado de What’s Happening! The Beatles in USA!, o novo corte traz cenas até há pouco inéditas que só podem ser exibidas na presença do diretor “por ordem da Apple, que detém os direitos da marca Beatles”.

Paul McCartney em show no Chile (EFE/Claudio Reyes)

O trabalho com Paul ao qual se refere Maysles é um novíssimo documentário que vem sendo preparado desde 2001 e estreia nos cinemas em 11 de Setembro deste ano.

Seis semanas depois da tragédia do 11 de Setembro, Paul telefonou a Maysles e perguntou se ele não queria dirigir um documentário sobre o show que organizaria no Madison Square Garden para “levantar o moral de Nova York”. Mais uma vez, o diretor desligou o telefone, consultou o irmão e disse sim.

Albert Maysles (FOTO TIAGO QUEIROZ/AE)

Como surgiu a ideia de The Love You Make, seu novo filme com Paul?

Foi ideia dele. Ele queria ajudar a levantar o ânimo de Nova York depois dos atentados de 11 de Setembro e me chamou para dirigir. Aceitei na hora.

Em What’s Happening você registra e revela os Beatles de forma muito intimista. Desta vez também vai ser assim com Paul?

Claro. Só sei filmar assim. Em The Love You Make, além de filmar cenas do Paul andando por NY, falando com as pessoas, tocando, etc., também filmamos a antessala do The Concert For New York City, nome do show. Assim como em Gimme Shelter e em todos os filmes que já fiz, sou testemunha do que acontece atrás dos palcos.

E o que acontece?

Acontece que você tem o privilégio de ver o que Paul fez nos cinco dias que antecedem o show, como caminhar pela cidade, ensaiar, conversar com os convidados no camarim, como Bill Clinton, David Bowie, Eric Clapton, Mick Jagger e até mesmo Backstreet Boys.

Por que filmar em preto e branco?

Foi ideia do Paul. Ele queria que o registro fizesse um paralelo com o What’s Happening, que é em PB. Vale lembrar que ele também é produtor do filme. Os direitos são meus e dele.

Lançar o filme dez anos depois do 11 de Setembro já estava nos planos?

Sim e não. Sim porque é uma data simbólica. E não porque de fato só agora conseguimos terminar. Fora que o Paul não queria lançar antes porque se achava velho na tela. Agora, olhando-se 11 anos atrás, está se achando ótimo (risos).

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