Delicadeza e sensibilidade em novo álbum de Joe Bonamassa e Beth Hart

Estadão

24 de junho de 2013 | 12h00

do blog 33 Rotações

A parceria deu certo e novamente a cantora Beth Hart e o guitarrista Joe Bonamassaapresentam um novo album, Seesaw. A capa é uma quase homenagem ao album Live at Regal de B.B. King, gravado em 1965, este que figura entre os 500 grandes albuns de todos os tempos pela revista Rolling Stone e está inserido no livro 1001 discos para se ouvir antes de morrer.

E fazer música juntos só fez aumentar a amizade e a química musical que ambos carregam.
A força do Blues-Rock na voz de Beth Hart, às vezes rasgada pela energia do Rock, às vezes em tom dramático na interpretação das baladas; e a forte pegada Blues da guitarra de Bonamassa, que particularmente, hoje, disparado, é o número 1.

Seesaw emplacou no “top list” da Billboard e sem dúvida é mais album para audição obrigatória. A produção novamente é de Kevin Shirley e participam do álbum Blondie Chaplin guitarra rítmica e percussão; Carmine Rojas baixo; Arlan Schierbaum piano, órgão e acordeon; Anton Fig bateria; os metais de Ron Dziubla sax, Lee Thornburg trompete e trombone; e Jeff Bova ficou responsável pelos arranjos de cordas.

O álbum abre com Them There Eyes, clássico dos anos 30 gravado por Bille Holliday em 1939 e aqui em uma versão com um ar west coast em que se destaca o ataque dos metais e o solo de Bonamassa. Beth diz que sua mãe sempre cantava essa música para ela quando criança, uma importante influência dentro de casa.

Close to my Fire é um hit do grupo alemão Slackwax, que mantém a mesma atmosfera reforçada, mais uma vez, pelos metais e pelas mãos de Bonamassa. E a veia Rock’n’Roll aparece. Nutbush City Limits foi marcada pela voz de Tina Turner ao lado do marido Ike Turner, originalmente gravada em 1973.

E Tina é uma das cantoras que Beth admira e para ela tornou-se um desafio gravar esse tema. Can’t Let Go levou o Grammy de 1998 na voz de Lucinda Williams e Miss Lady é um tema de Buddy Miles que Beth inicialmente não queria gravar pois exigia muito da sua voz após longo tempo no estúdio, mas o resultado foi muito positivo e, lógico, Bonamassa não economizou.
If I Tell You I Love You traz o songobook de Melody Gardot para uma versão com meio folk meio parisiense com destaque para o acordeon de Alan na base dando uma atmosfera bastante sombria.

A balada I Love You More Than You’ll Ever Know é matadora. A introdução marcada pela guitarra repousa na voz melosa, quase de lamento, de Beth e tem em um epílogo quase épico no solo de Bonamassa. Como na versão original de Donny Hathaway ou mesmo na interpretação na voz Amy Winehouse, é um belíssimo tema para arrepiar a alma.

A influência do R&B é marcante em Beth e uma grande influência para ela é Etta James. Rhymes se apresenta com um bom groove em e destaca-se novamente a guitarra de Bonamassa. A balada Sunday Kind Of Love é uma viagem na origem de Etta no tempo da Chess Records, aqui com uma seção de cordas ao fundo e esse tema tem muita importância para Beth pois era uma das preferidas de sua mãe. Espetáculo !

Balanço, energia na guitarra de Bonamassa e um groove arretado imposto pelos metais dão a dose certa para o tema título do álbum, Seesaw, escrito por Steve Cropper e gravado por Aretha Franklin em 1968.

Fechando o álbum, um hino – Strange Fruit. A canção, que ficou imortalizada nas vozes de Billie Holiday e Nina Simone, é um poema de protesto contra o racismo na América e foi escrita por Abel Meeropol. A versão de Billie Holiday foi incluída no Grammy Hall of Fame em 1978 e na lista das canções do século pela Recording Industry of America and the National Endowment for the Arts.

 

 

 

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