Dee Snider leva o Twisted Sister à Broadway

Estadão

25 de junho de 2012 | 17h00

 

O vocalista do Twisted Sister, Dee Snider, sempre foi teatral. Basta ver o videoclipe de “We’re Not Gonna Take It” para ter essa certeza. Além disso, Dee participou efetivamente do musical da Broadway “Rock of Ages”, cantando justamente essa canção do videoclipe, em 2010.

Portanto, esse lançamento, “Dee Does Broadway”, um álbum com versões roqueiras de canções de vários musicais da Broadway, é uma surpresa de certa forma esperada.

Segundo o próprio cantor menciona em seu site, ele selecionou para este álbum versões de músicas que não eram originalmente rock. Então, foram descartados “Grease”, “Jesus Christ Superstar”, “Hair”, etc, e entraram “Cabaret”, “Guys and Dolls”, “Damn Yankees” e outros. Dee fez uma ótima seleção, mas o resultado das versões ficou irregular.

O resultado cabe mais ao próprio Dee Snider e seu parceiro neste projeto, Bob Kulick, responsáveis por transformarem as versões em canções de rock, ao lado dos músicos Brett Chassen (bateria) e Rudy Sarzo (baixo, ex-Quiet Riot, ex-Ozzy Osbourne e ex-Whitesnake). Fazendo bem sua parte, o experiente arranjador Doug Katsaros, com milhares de quilômetros rodados em musicais, criou belas orquestrações e teclados para todas as faixas deste lançamento.

Algumas versões soam de muito bom gosto e funcionam bem. Em “Cabaret”, os arranjos orquestrados de big band aparecem com destaque e isso equilibra bem a mistura entre rock e musical. “The Ballad of Sweeney Todd” se encaixa bem no estilo Twisted Sister de “Stay Hungry”, pois tem o mesmo apelo de terror de “Burn In Hell”, “Horror Teria” e “Captain Howdy”. A balada de “O Fantasma da Ópera”, “Music of the Night”, ganhou uma bela versão aqui, com Dee colocando sentimento em seu canto e o violinista Mark Wood fazendo um belo arranjo e solo.

“The Joint Is Jumpin’” se transformou em um hard rock acelerado com dueto de Dee com seu filho, Jesse Blaze Snider, e tem uma divertida passagem de big jazz band. “Razzle Dazzle” consegue manter o clima solto e descontraído, com grande interpretação de Dee, alcançando aquele timbre emocionado de “Leader of the Pack”.

Já outras versões são previsíveis e chatas demais ou não se soam bem de forma alguma. Em “Big Spender”, os vocais de Cindy Lauper e Dee Snider estão abafados e deviam estar em mais destaque que os outros instrumentos, o que influencia para que a versão não tenha o clima alto astral e bem humorado da original da Broadway.

Em “Mack The Knife”, Dee Snider tentando soar como crooner não cola – quem se encaixaria perfeitamente aqui seria David Lee Roth (veja vídeo abaixo). Em “Whatever Lola Wants”, em dueto com a veterana Bebe Neuwirth, duas vezes vencedora do Tony Awards, Dee canta com voz limpa e com boa interpretação, mas o instrumental está estridente demais, soando barulhento.

“Luck Be a Lady” começa sem mudar muito o original do musical e ganha peso a partir da segunda parte, sem nada a destacar – fica ainda evidente como o veterano Clay Aiken, que faz os vocais junto a Dee, tem uma força interpretativa muito maior que este. “I Get a Kick Out of You” ganhou uma versão pesada previsível e aborrecida demais. “There Is Nothin’ Like a Dame”, cantada com o elenco de “Priscilla Rainha do Deserto” – Will Swenson, Tony Sheldon e Nick Adams – tem base instrumental agressiva demais que acaba com o humor divertido do original.
 

“Tonight Somewhere” de “West Side Story” é cantada em alto estilo, em ritmo cadenciado, ao lado da também veterana e vencedora do Tony, Patti LuPone, porém o instrumental soa como se, na falta de um teclado, alguém fosse obrigado a tocar a canção na guitarra, sem fazer nenhum sentido.

Assim, entre mortos e feridos, o resultado acaba sendo mediano. Uma pena, pois a ideia do álbum era original, os convidados talentosos e a seleção de muito bom gosto.

 
 

Tudo o que sabemos sobre:

Dee SniderTwisted Sister

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.