Death metal do Opeth na casa da música erudita

Estadão

27 de setembro de 2010 | 16h32

Marcelo Moreira

Um grupo sueco de rock lotando a principal casa de shows de Londres e fazendo um sucesso absurdo. É mais ou menos como se um grupo de pagode português desembarcasse no Rio de Janeiro e levasse milhares de pessoas à loucura.

Isso ocorreu com a banda Opeth, um dos nomes mais festejados do chamado progressive death metal. Os suecos fizeram uma série de shows no Royal Albert Hall, nobre casa londrina de espetáculos teatrais de música erudita e que já recebeu os maiores nomes do rock a partir dos anos 70.

Opeth-In-Live-At-The-Royal-Albert-Hall

O DVD/CD lançado neste ano tem a capa imitando o álbum “Concert for Group and Orchestra”, do Deep Purple, que mascou a estreia do vocalista Ia Gillan e do baixista Roger Glover no quinteto, em 1969 – gravado com a Orquestra Filarmônica de Londres, é considerado o primeiro grande show gravado no Royal Albert Hall.

Neste show o Opeth apresentou na primeira parte o álbum “Blackwater Park” na íntegra, e na sequência músicas dos outros discos da carreira, totalizando quase três horas de música ao vivo no palco.

Os trabalhos da banda sueca liderada por Mikael Akerfeldt (vocal e guitarra) e Fredrik Akesson (guitarra) se caracterizam pelo contraste que surge entre os elementos mais leves de violão, canto e jazz, combinados à agressividade do death metal.

Além dos elementos que tornam a sonoridade da banda algo singular, os temas abordados se focam em aspectos sombrios como angústia, medo, remorso e outras formas de sofrimento. Os destaques são os climas densos e hipnóticos criados pelo excelente trabalho de guitarra.

“Opeth In Live Concert At The Royal Albert Hall” foi gravado em abril deste ano e faz parte da turnê do álbum “Watershed”, de 2008, e tem um repertório mais variado. O DVD anterior, “The Roundhouse Tapes – Live”, de 2007, e também gravado em Londres, traz músicas mais pesadas e progressivas, mas não se iguala em produção com o atual trabalho. Não é para qualquer um, mas os suecos representam hoje o que de mais moderno se faz em termos de música extrema.

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