Da Cidade do Rock às prateleiras

Estadão

20 de outubro de 2011 | 06h28

Pedro Antunes e Adriana Del Ré 
 
Os olhos azuis claros de Amy Lee se arregalaram ao ouvir a gritaria do lado de fora do hotel, onde ela e sua banda estavam hospedadas, em Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Era um dia antes da apresentação do Evanescence no Rock in Rio, realizada no dia 2 de outubro, e quinze adolescentes acampavam em frente à sacada da cantora californiana de 29 anos. Isso não é incomum para eles.
 
O que surpreendeu a vocalista foi que os fãs cantavam versos do single What You Want, do disco Evanescence, lançado apenas na última terça-feira, dia 11. Foi assim durante toda a entrevista. “Eles fizeram bem a lição de casa!”, brincou ela, em direção aos jornalistas que estavam lá para conversar sobre o novo álbum.
Amy Lee, 'dona' do Evanescence, cantou seis músicas de seu novo álbum no Rock in Rio - Reuters
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Amy Lee, ‘dona’ do Evanescence, cantou seis músicas de seu novo álbum no Rock in Rio

Assim como o Evanescence, outros artistas apresentaram no Rock in Rio faixas de seus discos recém-chegados às prateleiras – no caso do grupo de metal, o álbum só foi lançado nove dias depois. Lenny Kravitz e Joss Stone, por exemplo, aterrissaram na Cidade Maravilhosa com os álbuns Black and White America e LP1, fresquinhos, debaixo do braço (veja as resenhas dos dois trabalhos abaixo). O quarteto britânico do Coldplay também mostrou canções do novo álbum Mylo Xyloto.

Em sua apresentação no festival carioca, o Evanescence incluiu no set list seis músicas do novo trabalho, dentro de um total de 14 canções. “É meio assustador. É o primeiro show da turnê do disco novo. Estamos ensaiando muito e loucos para começar a tocar as novas músicas para as pessoas”, disse Amy Lee, sorridente, usando um vestido longo e colorido, que contrastava com seu habitual visual preto, gótico, soturno.

O retorno da banda

O novo trabalho também marcou o retorno do Evanescence. Foram cinco anos longe dos estúdios. O último trabalho lançado foi The Open Door, de 2006. “Em 2007, eu me casei, queria me afastar um pouco de tudo aquilo. Ter a minha identidade”, explicou Amy.

Da formação original, apenas ela ficou. Dona do Evanescence, a musa gótica preferiu ter o seu próprio tempo, readquirir a paixão pela banda e pela sua música. Agora, acompanhada dos guitarristas Terry Balsamo e Troy McLawhorn, do baixista Tim McCord e do baterista Will Hunt, Amy Lee está de volta em plena forma. Evanescence, o disco, traz a cantora em ótima fase. Madura, ela sabe onde colocar mais peso e onde ser mais delicada.

Prestes a completar 30 anos – ela faz aniversário no dia 13 de dezembro -, Amy Lee entende que cresceu com os seus fãs. “Eu costumo ler as cartas que as pessoas nos mandam no avião. E antes eram coisas como “eu te amo”, “você é a minha vida!” e até pedidos de casamento”, conta. “Agora, vejo pessoas mandando cartas inspiradas, com ótima escrita. Sinto que crescemos juntos.”

No fim da entrevista, Amy enviou um recado para os fãs: “O Evanescence voltará ao Brasil no ano que vem.” As novas músicas estarão mais sedimentadas entre seus seguidores e eles, provavelmente, poderão mudar o repertório dos gritos nas portarias dos futuros hotéis. Os outros hóspedes agradecerão à variedade. / PEDRO ANTUNES

Kravitz renasce no funk

O Lenny Kravitz dos hits pop melosos como Fly Away e American Woman não existe mais. O cantor, multistrumentista e produtor chega aos 47 anos enveredando ainda mais pelos caminhos do soul, do funk e com algum apreço ao hip hop em seu nono disco, Black And White America. Só esqueceram de avisar a organização do Rock In Rio.

O resultado? Kravitz foi encaixado entre Ivete Sangalo e Shakira. Cantou sobre a segregação racial nos Estados Unidos, na canção que dá nome ao disco, para um público micareteiro mais preocupado em tirar o pé do chão.

Lenny Kravitz se redescobriu no álbum. Um caminho já iniciado com o trabalho anterior It Is Time For a Love Revolution, de 2008, mas agora assumido com louvor. O que se ouve é um músico maduro, sem medo de falhar. Um sujeito que foge do som mainstream e a sua eterna busca pelo pop perfeito. Liberto de qualquer modelo pré-fabricado, ele encontrou num funk rock classudo e bem produzido – por ele mesmo, diga-se de passagem.

No disco, ele renasce bem acompanhado: a figura ascendente do jazz Trombone Shorty, de 25 anos, mostra o seu melhor no instrumento que lhe dá nome em músicas como Black And White America, Come On Get It e Life Ain’t Ever Been Better Than It Is Now. O nomão do hip hop Jay-Z e o jovem rapper Drake trouxeram seus versos rápidos, respectivamente, para o funk Boongie Drop e para a ensolarada Sunflower.

Kravitz também toca guitarra, piano, bateria, brinca com os sintetizadores. Faz tudo com a experiência dos 23 anos de carreira, mas renovado como um iniciante. Votos de que ele volte a tocar o novo disco no Brasil. Só que, da próxima vez, que seja para um público mais interessado.

Áurea pop ao soul da musa

Em seu novo disco, LP1, que chegou ao Brasil sob a chancela da Sony Music, a cantora inglesa Joss Stone, de 24 anos – uma grata mistura de Aretha Franklin e Janis Joplin -, respira liberdade. Talvez, uma sensação só experimentada com semelhante intensidade quando ela está no palco, com seus cabelos loiros soltos e os pés descalços em contato direto com a energia do tablado. É que neste quinto álbum, Joss, finalmente, é dona do próprio nariz e do próprio selo, o Stone’d Records. Dentro da nova realidade do mercado fonográfico, é um caminho natural para muitos figurões que fizeram a carreira na mainstream.

Ocupando sua nova condição – e deixando para trás problemas com a antiga gravadora, a EMI (o que a obrigou a rescindir contrato) -, ela conduziu o disco ao seu jeito. Para ajudar a produzi-lo, chamou o reforço do inglês Dave Stewart. Dave é um músico que funciona bem em parceria com mulheres. Além da cantora Annie Lennox – com quem esteve por mais de 15 anos à frente do pop Eurythmics -, ele produziu o disco de estreia da dupla inglesa Alisha’s Attic e, atualmente, está envolvido na produção da jovem cantora australiana Orianthi (guitarrista de Michael Jackson). Isso para citar alguns exemplos.

No caso de Joss, Dave levou um pouco da áurea pop à velha guarda da soul enraizada na alma dessa britânica. Ela cantou algumas faixas do novo disco, como Karma e Last One To Know, para o público brasileiro, no Palco Sunset, do Rock in Rio.

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