Cyndi Lauper abandona o pop e cai no blues

Estadão

18 de fevereiro de 2011 | 17h01

Paola C. Messina – Rádio Eldorado

 A cantora e sensação pop da década de 80, Cyndi Lauper, voltou aos estúdios após “Bring Ya to the Brink”, de 2008, para gravar “Memphis Blues”, disco dedicado ao gênero raiz de vários tipos de música.

O blues de Memphis (capital do estado americano de Tennessee) é distinto em sua mescla do rhythm and blues, com um toque do folk e a influência gospel. Dentro dessa sonoridade abrangente, a cantora transita entre interpretações dignas de um ‘crooner’, como em “Romance in the Dark” e canções mais animadas.

 Porém, mesmo com todo o seu charme e participações de especialistas do blues como B.B. King, Allen Toussaint, Ann Peebles e Jonny Lang, Lauper não consegue se adaptar completamente ao gênero e entregar sua voz com naturalidade às canções.  Ela se dá melhor em faixas mais agitadas ao invés das baseadas no tradicional shuffle do blues, hino dos lavradores negros do sul dos Estados Unidos.

 O estilo e talento da cantora americana são valorizados em “Rollin’ and Tumblin’” e no boogie-woogie de “Don’t Cry No More”, mas não chegam a impressionar no cover morno e sem inovações de “Crossroads,” clássico de Robert Johnson e Eric Clapton.

 Infelizmente, a aguardada volta de Lauper, responsável pelos hits “Girls Just Wanna Have Fun”, “Time After Time”, não aproveita do melhor que a cantora tem a oferecer – a sua voz distinta, marcada pelo sotaque do Bronx de Nova York, que não consegue ganhar força nos arranjos de “Memphis Blues”.

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