'Cowboys from Hell' do Pantera: 20 anos após transformar a banda

Estadão

29 de outubro de 2010 | 08h16

Marcelo Moreira

Uma banda poser, fazendo um hard rock que não era grande coisa, que se transforma em um gigante do thrash metal. A trajetória do Pantera tinha tudo para dar errado, mas deu tão certo que o quarteto virou referência de rock pesado nos anos 90.

A virada da banda ocorreu em 1990, dois anos após a entrada do vocalista Phil Anselmo. “Cowboys from Hell” é o álbum que inaugura a nova fase, e que ganha nova versão em 2010 de forma tripla, em uma edição fantástica, para colecionadores e para quem deseja conhecer o melhor trabalho da banda.

A nova edição vem remasterizada, trazendo o álbum original e sua força sonora – o ganho de qualidade, sem interferir no som, é evidente. Petardos como “Cowboys from Hell”, “Heresy” e a maravilhosa “Cemetery Gates” ganham mais força, mas sem que o jeitão “thrash” fique em segundo plano.

O segundo CD traz gravações ao vivo de 1990, nos Estados Unidos, na época do lançamento, e em Moscou no ano seguinte (o EP “Alive in Hostile”, com músicas do Monsters of Rock russo”. São gravações cruas, sem muito tratamento, mostrando a banda no auge da ferocidade e da agressividade, bem diferente do som pasteurizado do álbum ao vivo oficial “Official Live: 101 Proof”.

O terceiro disco traz versões demo para músicas do álbum e para músicas não aproveitadas. Também foi editada uma versão dupla, contendo apenas os dois primeiros CDs.

Nada melhor do que prestar um tributo a uma obra-prima do heavy metal e também ao guitarrista Dimebag Darrell, morto em dezembro de 2004 em pleno palco assassinado por um maluco em um boteco no interior dos Estados Unidos.

Há quem diga que “Vulgar Displar of Power”, de 1992, é melhor por ser mais brutal e violento, e que “Far Beyond Driven” é melhor por ser mais técnico e ainda mais pesado. São conceitos discutíveis, mas que fazem sentido. Entretanto, “Cowboys from Hell” foi uma pancada na cabeça de todos os roqueiros no período pré-grunge, nos estertores do hard rock farofa.

Para quem conhece o Pantera a partir do disco “Cowboys from Hell”, soa como um insulto afirmar que o grupo fazia um hard rock patético, digno dos piores momentos do Cinderella e do Ratt. Mas é a mais pura verdade, por mais que não gostemos.

Criado em 1981 no Texas pelos irmãos Darrell – Dimebag (guitarrista) e Vinnie Paul (baterista) -, o grupo teve várias formações e tateou em busca da definição de um estilo musical. Os irmãos, mais o vocalista Terry Glaze e o baixista Rex Brown optaram por um som mais forte e rápido, ao estilo Quiet Riot da época (com Carlos Cavazo nas guitarras), mas com o visual exagerado, seguindo a tendência inaugurada pelo Twisted Sister.

O primeiro álbum, “Metal Magic” (1983), seguia essa linha, que foi sendo abrandada nos dois seguintes “Projects In The Jungle (1984) e “I Am The Night” (1985) para se adequar ao hard rock farofa-comercial que dominmava a cena californiana. O Pantera teve alguma notoridade, mas sem chamar muito a atenção.

Para o próximo álbum, o quarteto decidiu trabalhar mais, mudar o gerenciamento e de adicionar mais peso à música, em direção ao heavy metal. Terry Glaze entrou em conflito com os outros memntos por se recusar a assinar um contrato com uma gravadora ligada a Paul Stanley e Gene Simmons, do Kiss, e foi demitido.

Pantera em 1993

Phil Anselmo entrou no começo de 1988 e gravou “Power Metal”, ainda voltado para o hard rock, mas com alguns riffs muito pesados e distorcidos de hguitarra, indicando o que viria em “Cowboys from Hell”.

A fase pesada e metal do Pantera rendeu cinco excelentes álbuns de estúdio em um ao vivo, mas as brigas internas e o ego descomunal de Anselmo implodiram o grupo em 2001.

O vocalista seguiu com dois projetos paralelos, Down e Superjoint Ritual. Os outros três criaram o Damage Plan, que lançou apenas um álbum e acabou com o assassinato de Dimebag Darrell em pleno palco em 8 de dezembro de 2004, no pardieiro chamado Alrosa Villa, em Columbus, no Estado de Ohio.