Continuamos soterrados pela Legião Urbana, e nada poderia ser pior

Estadão

27 de maio de 2012 | 16h30

Marcelo Moreira

A quantidade de eventos que marcaram os 15 anos de morte de Renato Russo – e o consequente fim da Legião Urbana – ultrapassaram todas as expectativas e continuam a incomodar a maioria das pessoas que gostam de música, e em especial que gosta de boa música.

Os eventos invadiram 2012 e não há sinal de que haverá uma trégua. O Tributo à Legiçao Urbana promovido pela MTV, com o ator Wagner Moura como vocalista (e pagador de mico) ao lado dos integrantes originais ainda vivos, é o sinal mais triste desta situação.

Já era esperado que fôessemos soterrados com o intenso bombardeio da série de homenagens a Renato Russo e à banda Legião Urbana, o combo mais superestimado da música brasileira, mais ainda do que Mutantes.

Parte expressiva da imprensa musical fez o que tinha de fazer ao registrar tais eventos, ou ao menos os mais importantes. Entretanto, uma outra parte com alguma expressão, mas com pouco senso crítico, contnua desepejando toneladas de textos laudatórios ruins a respeito do “legado” deixado por Russo e suas letras pseudointelectuais.

De tudo aquilo que alguns resolveram chamar de rock brasileiro, de longe a Legião Urbana é a mais superestimada, e  a mais fraca. Rivaliza em fragilidade artística e baixa qualidade musical com coisas como Inimigos do Rei, João Penca e seus Miquinhos Amestrados, Absyntho e outros menos votados.

Na comparação com grupos contemporâneos, o resultado é constrangedor em relação a Ira!, Golpe de Estado, Plebe Rude, Barão Vermelho, Titãs e Paralamas do Sucesso. Se forem mencionadas então bandas mais agressivas e extremas, como Garotos Podres, Ratos de Porão, Inocentes e Cólera, o constrangimento é ainda maior.

O trio Legião Urbana (FOTO:DIVULGAÇÃO)

É evidente que não se pode ignorar que a Legião Urbana foi popular e conquistou um público cativo – que se contenta com muito pouco, é verdade, mas é um público fiel. É admirável a devoção ds apreciadores do grupo, de longe a banda (ou artista ) brasileiro mais cultuado.

A bem da verdade, muita coisa ruim já foi extremamente popular, como as mais “expressivas” bandas de axé e pagode, que venderam milhões de CDs e desapareceram com a mesma velocidade que surgiram. Portanto, esse é o pior dos critérios a serem considerados.

Só que o endeusamento de Russo e a elevação da Legião a “ícone” de uma geração é uma coisa absurda e inacreditável. Músicos fracos e pouco criativos, canções óbvias e letras pretensiosas e de conteúdo no mínimo questionável – nada que se pareça com on trabalho lírico de Cazuza, o melhor letrista do rock brasileiro da época. E dá-lhe reedições de CDs, livros e quilômetros de reportagens vazias e repetitivas sobre a suposta genialidade de Renato Russo e a pretensa qualidade musical do trio.

E pensar que o Ira! teve de penas por 25 anos para obter algum reconhecimento, e que os ótimos Golpe de Estado, Garotos Podres e Inocentes se tornaram underground, quando não relegados ao ostracismo…

(FOTO: PAULO PINTO/AE)

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