Considerações finais sobre o Rock in Rio

Estadão

02 de outubro de 2013 | 06h35

Marcelo Moreira

– Bruce Springsteen fez um grande show, talvez o melhor do Rock in Rio 2013, mas se mostrou um grande demagogo. Se era para escolher um artista local para ser homenageado, que escolhesse alguém mais relevante do Raul Seixas. Não que Raul seja irrelevante, mas havia opções melhores e mais interessantes. Springsteen repetiu a dose no Chile e na Argentina, com a mesma dose de demagogia. Totalmente desnecessário.

– O Sepultura fez dois shows muito bons no festival, mas tropeçou na parceria com Zé Ramalho. Ficou esquisito, estranho, sem sentido. Por mais que se esforçasse, Ramalho ficou desconfortável e teve dificuldade para acompanhar o peso da banda. Não foi uma tragédia, mas poderia ter sido evitado.

Sepultura e Zé Ramalho: ficou esquisito. (FOTO: ESTADÃO CONTEÚDO)

– Os tributos a Cazuza e a Raul Seixas foram vexatórios. Transformar a carreira dos dois em musicais cheios de firulas e com artistas descompromissados ou deslumbrados não deu certo, definitivamente.

– Se em 2011 discursos politizados anticorrupção pareceram ousados e até mesmo bem colocados dentro do contexto, em 2013 não passaram de mero oportunismo, além de serem repetitivos e enfadonhos. Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial, tentou repetir a dose e pareceu uma figura patética. Tico Santa Cruz, dos Detonautas, fez pior, com a apologia dos bandidos mascarados que se infiltram nas manifestações pacíficas para agredir e depredar. Vergonhoso.

– Ao contrário do que se esperava, o Kiara Rocks foi mais espancado pela imprensa do que pelo público. Quem esperava uma chuva de detritos, garrafas e pedras no quinteto se surpreendeu com uma recepção que variou entre morna e indiferente, exceto quando da presença do convidado especial Paul Di’Anno, ex-Iron Maiden. Uns esperavam uma apresentação trágica, outros acreditavam em uma grande surpresa. Nem uma coisa, nem outra. O grupo se esforçou, tocou direitinho, deu o sangue, mas o nervosismo era evidente. Assim como o Glória dois anos antes, o Kiara sentiu a responsabilidade, dando a impressão que o evento talvez fosse demais para o caminhãozinho da galera. Foram corajosos ao encarar o palco Mundo, mas o ideal talvez fosse iniciar no palco Sunset, que presenciou dois excelentes espetáculos de brasileiros: Dr. Sin arrasando com o Republica e Andre Matos e Viper revivendo o melhor do metal nacional dos anos 80.

– Beyoncé, Alicia Keys, Justin Timberlake, Ivete Sangalo… nunca mais…

– Nickelbeck, 30 Seconds to Mars, Matchbox 20, Florence + The Machine… para quê? Ninguém deu a mínima, os shows foram esquecíveis e não fariam a menor falta. Há pelo menos dez artistas brasileiros de rock mais interessantes representativos do que coisas ruins como as que tocaram. Melhor ver de novo Paralamas do Sucesso e Titã do que atrações internacionais de quinto escalão.

– Alguma dúvida de que é o rock pesado que carrega o festival nas costas?

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