Com show à parte de Geoff Tate, Queensrÿche faz grande apresentação em SP

Estadão

21 de abril de 2012 | 17h00

Flávio Leonel – Roque Reverso *

O grupo norte-americano Queensrÿche se apresentou no HSBC Brasil no sábado, dia 14 de abril. Para alegria dos fãs, a banda do vocalista Geoff Tate fez um show impecável, que uniu técnica, grande qualidade de som e simpatia dos integrantes com o público presente. Tate, por sinal, foi o grande destaque da noite e deixou todos boquiabertos com sua excelente performance, digna das grandes vozes do rock pesado.

Para completar a noite de celebração ao heavy metal progressivo, a casa de shows paulistana teve a honra de receber, como grupo convidado de abertura, o Fates Warning, um dos responsáveis pela criação do estilo.

Com um bom público, o também norte-americano Fates Warning se apresentou pela primeira vez no Brasil. Não bastasse este detalhe, ainda trouxe como baterista convidado nada menos que Mike Portnoy, ex-Dream Theater, que vem se transformando, para sorte de quem admira os grandes músicos, numa figurinha carimbada em shows pelo Brasil. Vale lembrar que há menos de 1 ano, ele esteve no Rock in Rio para se apresentar com o Stone Sour e que, em 2010, tocou no SWU Music & Arts, em Itu, com o Avenged Sevenfold.

Durante o show, o Fates Warning presenteou o público com vários de seus sucessos e agradou até mesmo quem só estava ali para assistir ao Queensrÿche. Portnoy, para variar, deu mais uma de suas aulas de batera e deixou a apresentação ainda mais agradável, preparando o terreno para a grande atração da noite.

Perto das 23h30, o Queensrÿche subiu ao palco para uma plateia que não lotava o HSBC, mas que ficou muito perto disso, apesar dos salgados preços dos ingressos. A banda iniciou a apresentação com a música “Get Started”, do seu mais recente álbum “Dedicated to Chaos”, lançado em 2011. Na sequência, executou “Damaged”, do disco “Promised Land”, de 1994.

Se, em 2008, no Credicard Hall, a qualidade do som do show do Queensrÿche surpreendeu para o bem (e muito), em 2012, já dava para perceber que, no HSBC, a história seria repetida, com um detalhe que não passou batido: Geoff Tate, já com inacreditáveis 53 anos, parecia estar cantando ainda melhor! E com uma segurança no palco que impressionava.

Com “I Don’t Believe in Love”, do clássico álbum “Operation: Mindcrime”, de 1988, a recepção do público, que já era boa, ficou ainda melhor, com todos do HSBC cantando o refrão de maneira contagiante. Vale citar que, além de Tate, toda a banda mostrou entrosamento perfeito, com destaque para o guitarrista Michael Wilton, acompanhado com maestria pelo parceiro de instrumento Parker Lundgren e também por Eddie Jackson (baixo) e Scott Rockenfield (bateria).

Trinta anos de carreira estavam sendo comemorados em solo paulistano. E várias faixas de diferentes álbuns foram tocadas, como “Hit the Black”, “I’m American”, ”Real World”, “NM 156?, “Screaming in Digital”, “The Lady Wore Black”. Tal qual o cenário de 2008, no Credicard Hall, Geoff Tate dava um show particular de simpatia, coversando com a plateia em diversos momentos e até dizendo que “amava” algumas meninas da fila do gargarejo.

Na verdade, Tate até parecia que estava ainda mais “de bem com a vida” do que em 2008. Para quem esteve no Estádio do Palmeiras em 1997, quando a banda tocou na mesma noite que o Megadeth e o Whitesnake, este “novo e careca” vocalista era algo inimaginável, já que, naquela apresentação, o Queensrÿche ficou devendo um show digno de sua história e o próprio Tate era o oposto do indivíduo de 2012.

Depois de contagiar novamente o público com a música “Walk in the Shadows”, do álbum “Rage for Order”, de 1986, e mandar na sequência a faixa “The Right Side of My Mind”, do álbum Q2K (1999), o show entrou em seu momento máximo. Tudo porque foi a vez da música de maior sucesso comercal da banda: “Silence Lucidity”, do ótimo álbum “Empire”, de 1990.

Você pode até achar que o hit é muito pop para a carreira do Queensrÿche, mas jamais vai poder negar que não há qualidade nesta canção. Dos acordes iniciais até os trechos orquestrados, passando pela interpretação exemplar de Geoff Tate, não há como não ficar vidrado na execução deste grande hit dos bons tempos da MTV.

Depois do grande momento com “Silence Lucidity”, o set list normal do show não poderia ser melhor encerrado do que foi com “Take Hold of the Flame”, do primeiro álbum do grupo, “The Warning”, de 1984. Com a plateia empolgada e cantando o refrão junto, Tate até se surpreendeu com a energia dos fãs, mostrando clara satisfação com aquele momento.

Após a pausa para o descanso, o Queensrÿche voltou para um bis para saciar qualquer fã de heavy metal, com músicas do “Empire” e do “Operation: Mindcrime”. Todos foram ao delírio com “Jet City Woman” e viram mais uma grande performance, com “Empire”.

Para fechar o show, nada menos que a ótima “Eyes of a Stranger”, seguida pelo grande final com “Anarchy-X”. Depois do encerramento, Geoff Tate ainda voltou do camarim com uma taça de vinho e fez um brinde à plateia, que saiu do HSBC Brasil ciente de ter visto uma apresentação já candidata a uma das melhores do ano em SP.

Lista de músicas

Get Started
Damaged
I Don’t Believe in Love
Hit the Black
I’m American
My Empty Room/At 30,000 ft.
Desert Dance
Real World
NM 156
Screaming in Digital
The Lady Wore Black
Walk in the Shadows
The Right Side of My Mind
Silent Lucidity
Take Hold of the Flame

Jet City Woman
Empire
Eyes of a Stranger/Anarchy-X

* Flávio Leonel é jornalista da Agência Estado e editor do ótimo blog Roque Reverso.

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