Com menos rock, para variar, Rock in Rio busca o novo em edição mais comercial

Estadão

13 Setembro 2013 | 11h44

Jotabê Medeiros – Enviado Especial / Rio – O Estado de S. Paulo

Vai chover ou a Cidade do Rock vai se tornar um deserto escaldante com esse calor que está fazendo? Vai ter vaia? Vai ter gafe? Vai ter play back? Vai ter cantora pagando calcinha sem querer querendo? Vai ter polêmica com juiz de menores? Vai ter arrastão?

Vista aérea da Cidade do Rock - Genilson Araújo/Divulgação
Genilson Araújo/Divulgação – Vista aérea da Cidade do Rock

A 13.ª edição do Rock in Rio começa nesta sexta (13) na Cidade do Rock (Parque dos Atletas, na Av. Salvador Allende, s/nº, no Rio de Janeiro), numa área de 150 mil m², e segue até o dia 22 de setembro, ocupando dois fins de semana e todas as atenções do País, com a mesma voracidade para o gossip, a fofoca, o trending topic que para a grandiosidade cênica e a novidade musical.

O primeiro fim de semana fica por conta dos artistas-performers, como são conhecidos no mundo pop: Beyoncé, Justin e Alicia Keys. É mais Broadway que música, mais ritual coletivo que elevação individual, mas, se há gente competente nesse Métier, são esses astros. São espetáculos caríssimos, o que tornou esta a edição mais dispendiosa da história, segundo a organização. A capacidade desses astros para gerar diz que diz que é diretamente proporcional aos seus ganhos (e já vai fazendo sucessores, como a jovem Miley Cyrus).

O Rock in Rio sempre teve esse lado de cultura de celebridades. Na última edição, em 2011, ventilava-se nos bastidores um possível caso de amor instantâneo entre Axl Rose e uma modelo brasileira. Também houve a porção “astral infernal” de alguns artistas, como Rihanna, que surtou quando saía da Cidade do Rock e sua comitiva teve de esperar a passagem de um caminhão de lixo que obstruía a passagem.A maciça presença de globais, estrelas de TV brasileiras, garante o bochicho nos bastidores, sempre muito estrelado.

Entre os astros do final de semana, gravita um DJ megastar, David Guetta, conhecido por sua capacidade de entusiasmar multidões. Há quem o considere meio “farofa”, formulaico, mas é inegável a sua força de engajamento. David Guetta é o milionário de um time de eletrônicos que vai perdendo aquela capacidade renovadora da virada do século. Além dele, o time do gênero no festival é composto por nomes como Sweet Beats, Ask 2 Quit, Life is a Loop e Otto Knows nesta sexta; Paula Chalup, Maurício Lopes, Mau Mau, Anderson Noise e Vitalic (sábado); DJ Harvey, Triple Crown, dOP e Renato Ratier (domingo); DJ Ride, Gaslamp Killer, Brodinski e Gesaffelstein (quinta); Ferris, Rodrigo Vieira, Dexterz e Paul Oakenfold (sexta); Flow & Zeo, DJ Vibe, Guti e Loco Dice (sábado); e boTECOeletro, Maximum Hedrum, DJ Marky e Felguk (domingo).

Sábado, a banda inglesa Muse, sempre competente e eficaz, enquadra-se naquela categoria “derivativa” que tanto incomoda fãs mais extremados (e nas quais se encaixam grupos como Keane). O Palco Sunset tem uma banda do tipo, um tanto desconhecida dos brasileiros: o grupo Saints of Valory, que é formado por alguns americanos que viveram no Brasil em sua infância.

É meio chover no molhado dizer que o festival tem um côté comercial mais acentuado do que artístico. Entretanto, é sempre possível encontrar a novidade no meio da saúde comercial. Já aconteceu em diversas ocasiões, e o show do System of a Down, em 2011, foi um exemplo, com sua vigorosa fusão de heavy metal com árias operísticas e música folclórica do leste europeu.

Os medalhões, todo mundo já conhece. O que mais se pergunta é: o que será surpresa neste primeiro fim de semana do festival? Sempre a partir das 14h40, o Palco Sunset é o lugar que se convencionou guardar para o novo, com 52 atrações nacionais e internacionais – boa parte de ilustres desconhecidos. Entre eles, nesta sexta, apresentam-se Living Colour com a africana Angélique Kidjo e os portugueses do Orelha Negra com Flávio Renegado. Sábado, The Offspring e Marky Ramone com Michale Graves. George Benson divide o palco com Ivan Lins no domingo, que também terá a neozelandesa Kimbra e Aurea. Ben Harper é atração de sexta, e o romântico italiano Lorenzo Jovanotti fica para o próximo sábado. Do lado brasileiro, passarão por ali Lenine, Mallu Magalhães, BNegão e Nando Reis, entre outros. Além dos encontros, este ano o palco tem ainda convidados especiais como Sebastian Bach e Rob Zombie.

Bom, mas, entre as atrações de sexta no Sunset, nem Angélique Kidjo nem Living Colour podem ser considerados surpresas – a cantora do Benin, aos 53 anos, é nada mais nada menos que a legítima herdeira de Miriam Makeba, a grande diva da música africana – foi escolhida pela própria como sua sucessora.

Os olhares voltarão-se para outro “azarão” do festival, a jovem cantora belga Selah Sue, que se iniciou na carreira flertando com o vácuo deixado por Amy Winehouse e hoje já reivindica luz própria. Enfurnou-se no dub e no ragga, deu uma sujadinha na imagem e está querendo botar sua banca. Canta com a herdeira de Elis, Maria Rita.

Selah Sue é seguida de perto por outra cantora, dessa feita portuguesa, Aurea, de apenas 26 anos. Aurea se apresenta no Palco Sunset neste domingo ao lado da banda The Black Mamba. Ela é bem conhecida na Europa, e neste mês está sendo lançado no Brasil o seu álbum Soul Notes, que traz a faixa Don’t Ya Say It, estourada na trilha da novela Amor à Vida.

Com cinco anos de carreira e dois discos lançados, Aurea ganhou em 2011 o Globo de Ouro Português de Melhor Intérprete. Um ano antes, seu disco Aurea manteve-se em 1.º lugar do Top Nacional em Portugal – um mercado modesto, mas bastante ativo em novidades nos últimos anos. Esse intercâmbio é decorrência da globalização do Rock in Rio na Europa, e é interessante: tira um pouco a atenção da cultura anglo-saxã.

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