Cientistas espanhóis comprovam que música atual é mais 'chata'

Estadão

06 de agosto de 2012 | 06h32

Um estudo publicado pela revista científica Nature concluiu que, durante os últimos 50 anos, a música ocidental subiu de volume e que mudou somente no sentido de tornar-se mais homogênea.

 A pesquisa, realizada pelo Conselho Superior de Investigações Científicas da Espanha, levou em consideração 464.411 músicas armazenadas em uma base de dados da Universidade de Columbia, que foram gravadas entre 1955 e 2010.

 Os pesquisadores examinaram fatores como o tempo, as notas utilizadas e o volume das faixas. Os resultados não foram muito lisonjeros para os músicos modernos.

 De acordo com a hipótese de trabalho do grupo, com algumas manipulações básicas em sucessos mais antigos, o resultado será algum muito parecido com os “hits da estação” de hoje em dia. Bastaria diminuir a diversidade de timbres, simplificar as melodias e aumentar o volume.

 Mais do mesmo 

“Em média, uma canção atual utiliza as mesmas notas e acordes que uma dos anos 60, apesar de as transições entre acordes serem um pouco mais simples”, explicou à BBC o professor Álvaro del Corral, um dos autores do estudo.

 Segundo Del Corral, “os timbres atuais são mais reduzidos, ainda que diferentes”, o que quer dizer que o leque de instrumentos utilizados é muito menor que no passado. 

A quantidade de instrumentos que dependem dos processos de digitalização hoje em dia teria uma parcela de responsabilidade no que os pesquisadores consideram uma perda de variedade musical. 

Por causa da manipulação tecnológica, o piano, por exemplo, teria permitido um pouco de sua “pianidade”, a sonoridade específica que o torna mais reconhecível dentro da música. 

Mas a menor riqueza de sons não é a única coisa que a música contemporânea teria menos a oferecer, em relação à do passado: o estudo diz que as melodias das diferentes músicas que tocam hoje na rádio também se parecem mais entre si do que no passado. 

“Conseguimos indicadores numéricos de que a diversidade de transições entre combinações de notas diminuiu consistentemente durante os últimos 50 anos”, disse Joan Serra, outro dos investigadores, à imprensa.

 Um pouco mais alto 

No entanto, as músicas contemporâneas parecem ter uma característica mais elevada em relação às anteriores: o volume. Literalmente, as canções de hoje soam mais alto, independentemente da qualidade dos equipamentos de reprodução. 

De acordo com os pesquisadores espanhóis, há uma decisão consciente por parte dos engenheiros de som de elevar os níveis para capturar a atenção de uma audiência mais ampla. 

Para Álvaro del Corral, a explicação para as diferenças é o fato de que “a música popular é mais uma indústria ou um negócio do que uma arte”. “Se a tendência atual continuar, podemos extrapolar e dizer que a música comercial ficará ainda mais simples”, prevê Corral.

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