Christopher Lee, aquele de 'Senhor dos Anéis', grava álbum de metal

Estadão

20 de novembro de 2010 | 23h50

Marcelo Moreira

Christopher Lee já entrou para a categoria de monstros do cinema mundial – e há muito tempo. Os mais novos só o conhecem como o Saruman de “O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel” ou o Conde Dookan, da trilogia mais recente de “Star Wars – Guerra nas Estrelas”.

Entretanto, Sir Christopher Lee, hoje com 88 anos, foi o principal nome do cinema de terror da Inglaterra, ao lado do mestre Peter Cushing, entre os anos 1950 e 1970 do século XX. Era ídolo e maior estrela comercial da produtora Hammer Film Productions – até hoje é considerado o melhor intérprete de Drácula no cinema.

Agraciado com o título de sir pela rainha da Inglaterra – ou seja, é um cavalheiro -, Lee também é cantor de ótimos recursos técnicos, com participações em musicais e gravações diversas de música erudita. Só não esperava um dia gravar um álbum de heavy metal – ok, na verdade, nem tão de metal assim…

Christopher Lee em foto recente

 “Charlemagne – By the Sword and the Cross” é um álbum é conceitual que tem como tema a vida de Carlos Magno, primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico (reino europeu imenso da Alta Idade Média que compreendia os atuais territórios da França, Holanda, Bélgica e partes da Alemanha), que viveu entre os séculos VIII e IX e é ancestral direto do ator.

É o primeiro disco solo do ator, mas não é a primeira vez que Lee participa do mundo do metal. Ele colaborou com narrações em diversos discos da banda italiana Rhapsody of Fire (antigo Rhapsody), onde em alguns momentos não só fazia as narrações, mas também cantava.

“Charlemagne” foi lançado na Europa em maio e é de autoria do conpositor italiano Marco Sabiu, que já compôs para Kylie Minogue, Take That, Luciano Pavarotti e Françoise Hardy.

O mais curioso é que o anúncio no começo do ano de que lançaria um álbum de metal foi feito pelo próprio ator em vídeo postado no YouTube, onde descreve o som do álbum   como “metal sinfônico” e admite sua surpresa por ter descoberto uma nova habilidade ao gravar o disco.

O trabalho vale mais pela curiosidade do que exatamente pelo valor artístico. É uma ópera-rock como tantas outras realizadas no começo deste século – “Leonardo”, “Frameshift”, do guitarrista Henning Pauly, “Nostradamus”, do guitarrista Nikolo Kotzev.

Há muito pouco de heavy metal, na verdade, apesar da produção caprichada e da interpretação correta de Christopher Lee com sua voz de trovão. Há orquestrações demais, falação demais, e guitarras de menos – aliás, é bem dificíl escutá-las, ao passo que vários baixos são perceptíveis.

Enfim, “Charlemagne” está mais para musical da Broadway do que para heavy metal. A música mais pesada é “Act III – The Bllod Veredict of Verden”, onde finalmente é possível perceber guitarras bem pesadas. É um trabalho bem mais erudito do que metálico, mas merece uma audição sem preconceitos – sem falar que é uma aula de história.

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