Chris Cornell tenta se reencontrar em novo 'reinício'

Estadão

06 de agosto de 2011 | 22h59

Lúcio Ribeiro – ESPECIAL PARA O ESTADO

Embarcando no pensamento livre de Chris Cornell sobre si mesmo, o Brasil vai ver em novembro, no SWU, o segundo “reinício” de carreira do homem que liderou no passado, lidera agora e deve até voltar ao Brasil liderando o extrafamoso Soundgarden, mas só no ano que vem, segundo ele, “quando o disco novo estiver pronto”.

Cornell já veio se apresentar no Rio e em São Paulo, em 2007, quando pretendia firmar sua carreira solo depois de gastar um tempo de seis anos cantando no supergrupo Audioslave, espécie de junção de Soundgarden e Rage against the Machine. Naqueles shows, era mesmo um “novo Chris Cornell”, de acordo com o cantor.

“A primeira vez em que eu fui ao Brasil foi bem diferente. Eu não sabia muito bem o que queria. Esse formato solo acústico que eu levo agora não estava bem definido, então eu fui com banda de suporte, estava um pouco indeciso.”

Esta segunda vez de Cornell no Brasil encontra o músico numa fase muito mais centrada. O músico parece agora saber bem de onde vem e para onde está indo.

Chris Cornell (FOTO: REUTERS/Mark Blinch (CANADA - Tags: ENTERTAINMENT SOCIETY))

Ele voltou com o Soundgarden no ano passado, anda fazendo alguns shows com a famosa banda por EUA e Canadá, prepara o primeiro disco dela em 15 anos, sua turnê solo acústica bomba nos EUA com shows lotados e Cornell acaba de finalizar um trabalho para a trilha sonora do filme Machine Gun Preachers, que deve estrear nos EUA no final do ano ou em janeiro de 2012.

“Não considero isso um trabalho”, disse o cantor, em relação às músicas que fez para o cinema (Cornell já fez trilha para filmes como Homem-Aranha e Cassino Royale, entre outros). “Nesse caso, o diretor é meu amigo e eu pude experimentar umas coisas diferentes das que faço.

O filme é pesado, envolve drogas, crianças escravizadas, não é fácil. Daí eu botei uma percussão para quebrar meu som e saíram umas coisas sinistras, diferentes. Gostei.” Alguma dessas músicas “sinistras” vão aparecer no show do Brasil? “Quem sabe! Quem sabe também eu faça uma tour com o filme, tocando a trilha.”

Uma coisa a ser ajustada com o SWU é o tempo de show de Chris Cornell. O dono de uma das vozes mais singulares do rock gosta de tocar por não menos de duas horas e meia, três. “É um tempo de trabalho que eu acho justo para quem paga ingresso. Mas como é para um festival, com outras bandas, talvez seja difícil. Vamos ver o que eu consigo”, afirmou Cornell.

No show, além de músicas solo e do Soundgarden versão acústico, Cornell costuma tocar também canções de sua fase no Audioslave, algumas covers (de Beatles a Michael Jackson) e do seu velho projeto Temple of the Dog, banda formada em homenagem a um amigo músico de Seattle, morto depois de uma overdose de heroína. O cultuado Temple of the Dog tinha Eddie Vedder (Pearl Jam) dividindo os vocais e chegou a lançar a um único disco, em 1991.

Esse passado Soundgarden-Seattle-EddieVedder-Temple of the Dog de Chris Cornell faz de sua vinda ao Brasil em novembro, estrelando o festival ecológico SWU, um modo de o País revirar a história do rock a partir da efeméride grunge de 1991, quando o Nirvana lançou o disco Nevermind, que quebrou paradigmas na música, levou o rock ao além fronteira do pop comercial e fez com que bandas como Soundgarden alcançassem um público jamais esperado por bandas de um certo heavy metal punk sujo, o chamado “alternative metal”. Há 20 anos também, e no meio de toda essa última revolução do rock, Cornell e seu Soundgarden lançavam ruidosamente o disco Badmotorfinger.

“O grunge fez uma grande diferença na música. Teve um grande impacto cultural nos jovens e fez todo mundo olhar para as bandas novas, para tentar imaginar como seria o futuro imediato desta música jovem”, recorda Cornell. “Era uma época de brilho e energia que eram vistos explicitamente por onde quer que se olhasse, nas bandas, nas pessoas, nas lojas, nos shows, bares e ruas. Hoje em dia o ‘novo’ nos EUA é procurado pela indústria da música em programas de televisão desprezíveis como American Idol e X-Factor.”

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