Chorão e Champignon, do Charlie Brown Jr, pedem desculpas por briga no palco

Estadão

11 de setembro de 2012 | 17h44

Marcelo Moreira

Os músicos prometeram que esta será a última vez. Quem acredita? Chorão e Champignon, integrantes do Charlie Brown Jr, publicaram na noite desta segunda-feira na internet um vídeo onde eles se desculpam pelo lamentável episódio que protagonizaram em Apucarana, no Paraná, no domingo à noite.

No meio do show, aparentemente do nada, Chorão resolveu fazer um monólogo de quase quatro minutos atacando o baixista de sua bandam acusando-o de ter voltado para o conjunto em 2011 apenas pelo dinheiro, entre outras declarações pesadas – revelando que as desavenças que provocaram o racha da banda em 2005 ainda não foram resolvidas. Champignon nem teve como responder, pois teve seu microfone cortado e retirado do palco. Indignado, saiu do palco e não terminou o show.

No vídeo com as desculpas, Chorão foi direto ao assunto. “A gente protagonizou um episódio muito ruim. Eu começo me desculpando com o público, e com ele por ter me excedido na maneira como eu falei.” De forma sincera e corajosa, ele continua: “As coisas realmente fugiram ao controle, sobre um assunto que me incomoda, que virou pessoal, mas é público. Mas isso não me dá razão, nem o direito de ofender ou de falar com ele ou com ninguém de uma maneira errônea.”

Em seguida, o vocalista admite que ainda existe ressentimento e mágoa por questões “mal resolvidas”. “Era um assunto que tava mal resolvido entre a gente. Depois de terminado o show, a gente teve a oportunidade de se encontrar no hotel e conversou, cada um esclareceu sua parte.” Champignon, por seu lado, limitou-se a um pedido de desculpas, terminando por dar as mãos a Chorão, demonstrando união.

Os dois foram rápidos ao providenciar o vídeo ante a péssima repercussão que o caso teve entre fãs, imprensa e redes sociais. Foi um dos episódios mais lamentáveis da história do rock nacional, o que evidencia a crise criativa que afeta o Charlie Brown Jr, aparentemente em um caminho sem volta para a decadência artística.

Bem longe dos bons tempos de sucesso dos anos 90 e começo dos anos 2000, a banda ainda tem fãs fiéis e leais – que torna ainda mais inacreditável a demonstração pública e explícita de falta de respeito aos espectadores e aos demais músicos.

Como o próprio Chorão disse no vídeo, as desavenças e entreveros entre ele e demais integrantes da banda sempre foram públicos – e continuam sendo. Irascível e desbocado, o vocalista tem os méritos de ter carregado a banda nas costas e feito todos os esforços para que a banda continuasse existindo.

Por outro lado, seu comportamento e sua personalidade o colocam em situações delicadas e totalmente desnecessárias, como a lamentável briga com integrantes do Los Hermanos em um aeroporto do Nordeste anos atrás.

Em muitas situações esse tipo de informação ganhou mais relevância que a própria música do Charlie Brown Jr – em geral muito fraca e com pouca qualidade, mas responsáveis por uma legião de fãs leais que ignoram a decadência criativa e as absurdas confusões que volta e meia são relacionadas à banda.

O episódio lamentável e desagradável de uma banda que parece se esforçar para parecer desagradável a quem não é fã pode representar uma chance única de virada na carreira do grupo – desde que a pazes entre Chorão e Champignon sejam sinceras e duradouras.

No ano passado, apesar do sumiço da grande imprensa, da grande mídia e das rádios decentes de rock e pop rock das grandes capitais, o Charlie Brown ainda era uma das quatro bandas de pop rock a aparecer entre as 100 músicas mais executadas segundo o ranking da revista Billboard Brasil.

A colocação era ruim, abaixo do 60º lugar, mas era um alento para uma banda veterana estar ainda numa lista recheada de porcarias sertanejas, pagodísticas e forrozeiras. É a chance de ouro para resgatar a imagem e tentar recuperar a inspiração.

Queira ou não, o insípido e estéril repertório da banda ainda tem lugar no atual pop rock recheado de bandas emo sem qualidade e de supostas atrações moderninhas sem a menor consistência. O Charlie Brown Jr é melhor do que tudo isso.

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