Celebração da Rainha: Queen terá discografia relançada

Estadão

15 de janeiro de 2011 | 23h57

Marcelo Moreira

O baú do Queen nunca foi tão recheado de raridades ou de materia inédito escondido, como no caso dos Beatles, dos Rolling Stones, de Bom Dylan e de Jimi Hendrix. Sendo assim, a solução mais do que adequada para quem tem pouca munição é reeditar toda a discografia em CDs remasterizados e com encartes mais grossos e detalhados.

A solução pode não ser a ideal, mas é a possível para o outrora quarteto inglês que já vendeu 200 milhões de álbuns desde 1971. O Queen completa 40 anos e anuncia a reedição de seus 15 discos de estúdio lançados entre 1971 e 1995. Também deverão ser relançadas ainda neste mês as coletâneas “Greatest Hits”, de 1981, e “Greatest Hits 2”, de 1991.

Em março chegam às lojas da Europa e dos Estados Unidos os cinco primeiros álbuns do pacote. Embora ainda não tenha confirmado, a Universal, responsável pelos lançamentos, deve colocar no mercado brasileiro as oobras na mesma época, ou um pouco depois.

O “Ano Queen” na Inglaterra terá várias exposições fotográficas e de objetos pessoais dos integrantes da banda, documentários e até mesmo o início das filmagens de uma cinebiografia. E, nestes casos, nada está programado para o Brasil – na verdade, nada está programado para fora de Londres, que, até o momento, concentrará todas as homenagens.

Do desprezo ao estrelato

Desprezada no início da década de 70, o Queen conseguiu muito rapidamente atingir um patamar de estrelato e de venda de ingressos compatível com Led Zeppelin, Rolling Stones, Who, Faces e Bad Company em meados daquela década. De grupo de botecos apertados em 1971, passou a megabanda de estádios lotados em 1976, em uma ascensão rápida como a do Kiss nos Estados Unidos entre 1974 e 1977.

O fato é que o som pesado do início, bem hard rock, acabou sendo moldado por um colorido mais pop a partir da obra-prima “A Night at the Opera”. De subproduto do Led Zeppelin, ganhou personalidade e musculatura própria graças a uma sequência impressionante de hits, como “Bohemian Rhapsody”, “I’m in Love in with My Car”, “Death on Two Legs”, “Somebody to Love”, “Tie Your Mother Down”, “We Will rock You”, “We Are the Champions”, “Save Me”, “Don’t Stop Me Now”, “Another One Bites the Dust”, “Under Pressure”…

Capa de 'Queen 2', o segundo álbum da banda

Se a cara da banda era o fantástico vocalista Freddie Mercury, a alma e o coração eram Brian May, grande guitarrista que construiu os seus primeiros instrumentos. Com um timbre característico e maneira ímpar de tocar, conduziu o Queen pelas duas décadas seguintes fornecendo o estofo musical necessário para as composições de Mercury, John Deacon (baixo) e Roger Taylor (bateria), que também arriscava alguns vocais principais.

A doença de Mercury na segunda metade dos anos 80 – foi diagnosticado com Aids em 1985 – brecou a trajetória vitoriosa do grupo, por mais que os trabalhos de estúdio daquele período tenham ficado muito aquém do razoável pazra o nível do Queen. As turnês mundiais cessaram – e, ao que parece, a inspiração também.

A morte do vocalista, em novembro de 1991, foi o epílogo da carreira gloriosa do quarteto. Um desnecessário álbum póstumo – “Made in Heaven”, de 1995, com sobras de estúdio e composições inacabadas completadas meio no “chute” – e a insistência em retomar a carreira nos anos 2000 com o nome do Queen só realçam o que ficou evidente no sepultamento de Mercury: a banda morreu junto com ele.

Jeff Scott Soto (por pouquíssimo tempo) e depois Paul Rodgers ainda tentaram ajudar May e Taylor a seguir com o Queen. O grupo renomeado “Queen + Paul Rodgers” misturava ao vivo canções antigas da banda e clássicos da carreira de Rodgers com o Free e com o Bad Company.

Queen + Paul Rodgers: Rodgers (esq.), Taylor (ao fundo) e May

Lançaram um álbum de estúdio bom, mas que fracassou (“Cosmos Rock”) e dois ao vivo (“Return of the Champions” e “Live in Ukraine”), passaram por São Paulo em novembro de 2008 na turnê mundial do álbum de estúdio, mas o gás acabou.

Rodgers percebeu, agradeceu ao amigo Brian May e tratou de reotmar a carreira solo e reformar o Bad Company com a formação original (exceto pelo baixista Boz Burrell, morto em 2006).

May e Taylor não pretendem desistir tão fácil, mas ao menos esperemos que o “Ano Queen” mostre aos dois o tamanho do legado e da importância do grupo para que decidam, finalmente, deixar a entidade descansar em paz.

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