Carreiras de Paul Rodgers, Free e Bad Company revisitadas

Estadão

08 de março de 2011 | 08h20

Marcelo Moreira

Paul Rodgers foi definido nos anos 70 por Rod Stewart e Glenn Hughes (ex-Deep Purple e Black Sabbath) como o melhor cantor de rock daquele tempo, 1974 – sendo superior até mesmo a Freddie Mercury, do Queen. Não era apenas da boca para fora. O então jovem vocalista inglês tinha o respeito da crítica e de público, além da fama de “pé-quente”: todo projeto que se envolvia se transformava em sucesso.

Hoje Rodgers é um respeitável senhor de 60 anos que teve uma vitoriosa pasagem pelo Queen entre 2004 e 2008 – Queen + Paul Rodgers -, que rendeu dois DVDs, um CD de estúdio (“Cosmos Rock”) e um duplo ao vivo (“Return of the Champions”).

E recebe uma justa homenagem com o lançamento do álbum “The Very Best of Free and Bad Company featuring Paul Rodgers”, uma compilação que reúne os maiores hits das duas bandas. Não bastase isso, “Songs for Yesterday”, maravilhosa caixa com cinco CDs com o melhor da carreira do Free, deverá ser reeditada neste mês.

Como ser iluminado que é considerado, o vocalista teve a suprema felicidade de encontrar outros três garotos-prodígio em Londres aos 17 anos, em 1967. Assim como ele, eram talentososo e fanáticos pelo blues.

Rodgers, o guitarrista Paul Kossof, o baixista Andy Fraser e o baterista Simon Kirke fundaram naquele ano o Free, que lançou seu primeiro álbum logo no ano seguinte com clássicos do blues, só que com um sotaque diferente, mais arrastado e mais pesado, com uma timbragem de guitarra mais rasgada.

O quarteto logo chamou a atenção de várias gravadoras e promotores de shows, tornando-se o queridinho do blues-rock britânicos. O auge veio em 1970, com o álbum “Fire and Water”, considerado até hoje um clássico do rock inglês e um dos mais importantes do subgênero blues rock.

Ao mesmo tempo em que eram talentosos, os quatro tinham egos imensos e brigavam com muita frrequência. O grupo implodiu em 1972, com a saída de Kossof devido a excesso de drogas e às brigas entre Fraser e Rodgers.

Kossof tentou um gravar naquele ano um álbum solo com a ajuda do baixista Tetsu Yamauchi (que depois foi para o Faces) e do tecladista John “Rabbit” Bundrick (que desde 1979 é músico de apoio do Who). O álbum “Kossof, Testu, Rabbit and Kirke” foi gravadp, mas só lançado muito mais tarde.

Formação do Free em 1971 (Rodgers está no fundo, à esq.)

No final de 1972 houve uma tentativa de reunir o Free, mas as brigas entre Rodgers e Fraser pioraram, assim como o vício de Kossof. O último álbum, “Heartbreaker”, de 1973, não contou com Fraser, sendo que Kossof tocou apenas em algumas músicas apenas.

Bundrick e Yamauchi completaram as lacunas, mas não houve jeito, o final foi irreversível. O álbum, entretanto, teve boa recepção, e o maior hit da banda depois da ótima “All Right Now”, o maior sucesso: “Wishing Well”.

Andy Fraser foi cuidar de sua vidam gravou alguns álbuns solo, mas mergulhou no ostracismo. Kossof criou a banda Backstreet Crawler, gravou dois discos solo e morreu em 1976 durante um voo entre a Inglaterra e os Estados Unidos. Sofreu um ataque cardíaco em consequência do excesso de drogas.

Paul Rodgers e Simon Kirke formaram o Bad Company em 1974 com Mick Ralphs (guitarra, ex-Mott the Hoople) e o baixista Boz Burrell (ex-King Crimson). Um pouco antes, o vocalista foi sondado para substituir Ian Gillan no Deep Purple. O quarteto foi considerado o precursor do chamado hard rock, já que Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple faziam o chamado rock pesado ou pauleira.

O Bad Company fez um sucesso estrondoso até 1980, em parte também pelo suporte dado pela Swan Song, gravadora-selo do Led Zeppelin. Assim como no Free, Rodgers continuou sendo uma usina de hits em parceria com Ralphs e Burell, como “Bad Company”, “Feel Like Makin’ Love”, “Shooting Star” e “Ready for Love”.

Formação do Bad Company em 1974 (Rodgers é o segundo da esq. p/ a dir.)

Uma crise de criatividade e o esgotamento das relações entre os membros culminaram com a saída do cantor em 1982 – o Bad Company continuou ma década de 80 com o vocalista Brian Howe. Rodgers lançou um álbum solo, “Cut Loose”, em 1983.

Em seguida, uniu-se a Jimmy Page (ex-Led Zeppelin) na banda Firm, que durou dois anos e dois discos, até 1986. Um hiato de cinco anos e ele volta em 1991 com a banda The Law, ao lado de Kenny Jones (ex-baterista do Who, Faces e Small Faces), que fracassa.

Seu trabalho solo mais marcante é “Muddy Waters Blues”, um álbum de 1993 quase todo recheado de músicas do mestre norte-americano do blues tendo a participação de alguns amigos de peso, todos guitarristas, como Jeff Beck, Brian May (Queen), Brian Setzer, Neal Schon (Journey), David Gilmour (Pink Floyd), entre outros.

Após a saída do Queen, uniu-se a Mick Raplhs e Simon Kirke para uma nova encarnação do Bad Company, que fez uma turnê mundial no começo deste ano.

Lista de faixas do álbum “The Very Best of Free and Bad Company featuring Paul Rodgers”:

Bad Company:
01. Can’t Get Enough
02. Rock Steady
03. Feel Like Makin’ Love
04. Rock ‘n’ Roll Fantasy
05. Ready For Love
06. Run With The Pack
07. Seagull
08. Shooting Star
Free:
09. My Brother Jake
10. Wishing Well
11. Be My Friend
12. Hunter, The
13. Little Bit Of Love
14. Fire And Water
15. All Right Now

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