Caótico, novo do Of Montreal brinca com a percepção

Estadão

19 de janeiro de 2012 | 12h00

Emanuel Bomfim

Não há equilíbrio palatável numa música de tantos extremos. Psicodelia, synth-pop, indie rock, experimentalismos, tudo oscila sem pudor nas composições enérgicas do grupo norte-americano Of Montreal. Como numa vídeo-instalação de arte contemporânea, você não sabe muito bem para onde dirigir sua atenção. Há efeitos e ruídos sendo despejados a esmo, sem nenhuma lógica evidente, mas que dão coesão a um álbum de digestão lenta.

As inspirações são das mais diversas, sentidas aqui e acolá, desde o free-jazz de Ornette Coleman e Albert Ayler até o modernismo de compositores eruditos como Charles Ives e Krzysztof Penderecki. Na cabeça não-linear do líder Kevin Barnes, cada faixa é uma imersão multitonal por reflexões de cunho autobiográfico, em geral, marcadas pelos conflitos conjugais de seu autor.

Não é por nada que Paralytic Stalks, já o décimo álbum da carreira da banda, traz canções de longa duração, que passam facilmente dos sete minutos. O susto não é bom. Vá anestesiado para encarar o pesadelo pessoal do cantor e guitarrista, tomado por frases de efeito, mas de densidade e vigor impressionantes.

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