Can: o eterno minimalismo de Tago Mago

Estadão

30 Janeiro 2012 | 17h03

Roberto Nascimento

Só o augúrio de destruição iminente que se revela quando Holger Czukay e Jaki Liebezeit encaixam baixo e bateria na pulsação de Spoon, gravada ao vivo, vale o preço da reedição de Tago Mago, o seminal disco dos padroeiros alemães do rock experimental, Can, influência de nomes contemporâneos que vão de Radiohead e Flaming Lips, ao produtor de eletrônico Matthew Dear.

Na época em que o disco foi gravado, a banda procurava unir o conceito minimalista de compositores como Stockhausen, ao fusion de Miles Davis, sem deixar de fora elementos de raiz do rock e do funk americano.

O vocalista japonês Damo Suzuki havia se juntado à banda depois do surto psicótico de Malcolm Mooney e o tecladista Irmin Schmidt, estudioso de música erudita, procurava ir além dos limites da concepção atual de música experimental.

O resultado está nas abstrações ritmadas de Tago Mago, que experimenta com texturas sintéticas e melodias curtas, muitas vezes guturais e desafinadas, guitarras atonais, mas nunca abre a mão do groove: um raro gesto de elegância experimental. A reedição é dupla, com faixas ao vivo.

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