Caixa fantástica revitaliza 'Live at Leeds', do Who

Estadão

12 de outubro de 2010 | 16h36

Marcelo Moreira

A gravadora Universal já previa relançar o álbum “Live at Leeds”, do Who, até o final do ano, comemorando os 40 anos do lançamento, em uma embalagem de luxo contendo dois CDs (a apresentação completa daquele 14 de fevereiro de 1970) com um livreto ilustrativo. Só que houve uma mudança de planos no meio do caminho, para a alegria dos fãs. O projeto cresceu e virou uma caixa fantástica.

Nâo bastassem os dois CDs com o show completo – lançado em 2001 -, a edição de luxo 2010 trará mais dois CDs contendo outro show na íntegra – na cidade de Hull City, no memso ano, aquele que Pete Townshend considera como um dos cinco melhores que já fez – e um livro (nada de livreto) com 64 páginas com capa dura com texto detalhando a história do álbum, ilustrado por fotos raras e reproduções dos documentos incluídos no lançamento original.

Haverá ainda um vinil de 7 polegadas reproduzindo o single “Heaven and Hell” / “Summertime Blues”, um vinil reproduzindo o próprio LP lançado em 1970, pôster de Pete Townshend e embalagem de papelão com a capa reproduzindo a etiqueta em cor preta da primeira edição britânica do vinil. Não há ainda uma estimativa de preço, mas especialistas apostam que não custará mens do que 250 euros.

Frequentemente citado nas listas de melhores álbuns ao vivo da história – o crítico de música Nik Cohn o definiu no jornal New York Times como o “melhor álbum ao vivo de rock de todos os tempos” – finalmente captava o Who como era no palco: explosivo, pesado, virtuoso, anárquico, quase heavy metal.

Era a tendência na época, quando dois anos antes, em 1968, o Cream e o Experience de Jumi Hendrix tocavam cada vez maois alto e distorcido, sendo seguidos por por bandas como Blue Cheer e Led Zeppelin já em 1969.

Na turnê que se seguiu ao lançamento da ópera-rock “Tommy”, em agosto de 1969, o Who aprofundou a tendência e já se mostrava um pouco diferente no palco, como é possível observar na apresentação de 29 de setembro de 1969 em Amsterdam, uma das primeiras a registrar quase na íntegra o então LP duplo – essa apresentação é considerada um dos mais importantes “piratas” (bootleg) da banda.

O baixo de John Entwistle estava cada vez mais denso e alto, assumindo de vez a “base” a para a guitarra absurdamente alta e distorcida de Pete Townshend. Keith Moon, o baterista, acelerou o ritmo em algumas músicas, e em outras acentuou a marcação – ou seja, “desceu o braço”.

Capa original do LP e de uma das versões em CD de 'Live at Leeds'

O auge dessa fase pesada do Who viria no final de agosto de 1970, com a excelente apresentação no festival da Ilha de Wight, no sul da Inglaterra, o “Woodstock europeu”, show que virou CD duplo e DVD. Mas foi na cidade de Leeds, no, no interior inglês, que houve o registro definitivo da importância da banda para o rock.

O equipamento de gravação móvel, avançado para época, foi instalado na cozinha do refeitório da Universidade de Leeds, local do show naquele dia 14 de fevereiro de 1970. O LP “Live at Leeds” foi lançado em 23 de maio daquele ano, com apenas seis faixas.

Em 1995, como parte do programa de remasterização do catálogo do Who, o álbum ganhou mais oito faixas. Em Em 2001 veio a edição “de luxo”, com o concerto completo e reproduções de documentos históricos da banda, que haviam sido incluídos na primeira prensagem do vinil. As duas edições remixadas e remasterizadas ficaram a cargo do produtor Jon Astley, ex-cunhado de Pete Townshend.

Capa do CD 'Live at Leeds Deluxe Edition'

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