Bruce Springsteen: a volta do poderoso chefão

Estadão

23 de março de 2012 | 06h46

Pedro Antunes

Na abertura da cerimônia do Grammy, a maior premiação da música mundial, Bruce Springsteen deu o seu recado ao executar a nova canção We Take Care Of Our Own (algo como “nós cuidamos de nós mesmos”). Ao lado da excelente E Street Band, ele deu mostras do revigorante rock’n’roll que ouviríamos no seu mais recente disco, o 17º da carreira, Wrecking Ball, lançado apenas na semana passada. Mas a noite não era dele. Seria (e foi) de Adele, a cantora inglesa que, com o álbum 21, papou seis prêmios e saiu como a maior vencedora da noite, tirando do páreo os outros favoritos Foo Fighters e Kanye West.

Cantando com intensidade as dores de um coração partido, a inglesa de 23 anos batia recorde atrás de recorde. Ela, insolente, desbancou até os intocáveis Beatles ao conseguir emplacar três músicas entre as dez mais tocadas e colocar dois discos (19 e 21, no seu caso) na lista dos cinco mais vendidos.

O Grammy era uma espécie de aquecimento para The Boss (O Chefe), apelido de Springsteen. Seu disco, enfim, foi lançado e uma batalha épica se armou. Era como se o jovem campeão dos pesos pesados (Adele) estivesse diante de um experiente ex-campeão (qualquer semelhança com os seis filmes de Rocky Balboa, vivido por Sylvester Stallone, não é mera coincidência). Pouca gente apostaria em Springsteen neste duelo. Apesar dos 120 milhões de discos vendidos e dos 21 troféus Grammy na estante do músico, as canções de emosoul de Adele pareciam imbatíveis.

Mas, surpreendentemente, o roqueiro conseguiu. Vendeu 196 mil cópias e tirou Adele do topo da lista da Billboard, posto ocupado por ela desde 14 de janeiro. Ainda conseguiu o primeiro lugar em outros países, como Espanha, Inglaterra, Suécia e Alemanha. E, de quebra, ele ainda empatou com outro dinossauro do rock, Elvis Presley, como o terceiro artista a conseguir emplacar mais número um nas paradas – são dez no total. À sua frente, só estão o rapper Jay-Z (com 12) e, obviamente, os Beatles (19). O poderoso chefão estava de volta.

Wrecking Ball mantém o guitarrista e compositor com seu lado roqueiro afiado, seguindo o curso adotado desde Magic (2007) e Working on a Dream (2009), seus dois álbuns anteriores. Em forma, o porta-voz do “american dream” agora se vê diante de um EUA diferente. Barack Obama é o presidente, não mais o controverso George W. Bush. O que é sentida no disco, no entanto, é a ausência de Clarence Clemons, saxofonista da E Street Band e grande amigo de Springsteen, morto por complicações de um enfarte no coração em junho do ano passado. Não há melhor homenagem que essa: voltar ao topo.

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