Brian Ray, o anjo da guarda de Paul McCartney

Estadão

22 de novembro de 2010 | 16h03

Jotabê Medeiros

O guitarrista (e baixista) de Paul McCartney, este no lugar que um dia foi ocupado por George Harrison, é Brian Ray. Boa-praça, falou com o Estado por telefone, de Buenos Aires. Leia os principais trechos do papo:

  Privilégio. “Não acho que seja uma responsabilidade tocar Beatles com Paul. Não é como eu encaro. Para mim, é um privilégio. E não é como nos Beatles, há muitos ‘papéis’ a desempenhar. São 23 canções dos Beatles, mas há Wings e tudo o mais. Como chefe, Paul trabalha duro, e pede para que todos não sejamos preguiçosos. Ao mesmo tempo, é aberto, dá apoio e estimula a liberdade. Quando não gosta de algo, ele diz. Tem bons ouvidos e muito bom gosto.”

  Garoto. “Nunca o ouvi dizendo a palavra ‘aposentadoria’. Para ser sincero, ele mostra mais energia que nós quatro juntos. Parece se tornar mais e mais jovem a cada show, e é tão animado. Basta vê-lo cantando e gritando no palco. Mas acho que, após John Lee Hooker e B.B.King, essa ideia de que é preciso parar com a música não faz mais sentido.”

  Futuro? “Obrigado por perguntar. Acabo de fazer um show solo beneficente no The Roxy, em Los Angeles, e foi inacreditável. Tenho minha carreira solo. Música para mim é uma religião. Quando sobra tempo do trabalho com Paul, adoro ter minha carreira. Paul é minha prioridade, mas já fiz vários discos solos. O primeiro foi Mondo Magneto. O mais recente foi This Way Up”, que está disponível no meu website. Canto e toco guitarra.”

Guitar heroes. “Para mim, o maior de todos os guitar heroes é Jeff Beck, que ouvi quando tinha 12 anos. Ele me fascina por continuar se desenvolvendo ano após ano, criando uma linguagem para guitarra. Sim, é certo que é uma linguagem que ninguém fala (risos). Meus guitarristas preferidos são muitos, mas Albert King é o cara. Claro, tem Jimi Hendrix, Steve Ray Vaughan, Peter Green, Ry Cooder.” 

 Nascido em Los Angeles, em 1955, Brian Ray era ainda uma criança quando os Beatles apareceram no Ed Sullivan Show, durante sua “invasão dos Estados Unidos”. Mas diz que isso o levou ao rock’n’roll.

 É coautor de um hit de Smokey Robinson, “One Hearbeat”. Sua primeira banda foi Bobby Pickett and the Crypt Kicker Five. Apresentado à rainha do blues, Etta James, virou guitarrista e diretor musical dela por 14 anos. Ao lado de Etta, dividiu o palco com Keith Richards, Santana, Joe Cocker, Bonnie Raitt, John Lee Hooker e Bo Diddley. Está com Paul desde 2002.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: