Boicote não faz parte das funções da imprensa

Estadão

13 de setembro de 2012 | 12h00

Marcelo Moreira

Alguns leitores do Combate Rock têm cobrado uma postura perigosa nos textos e nas reportagens publicadas a respeito dos eventos promovidos pela empresa Negri Concerts, que organizou o problemático e fracassado Metal Open Air, em São Luís (MA), no mês de abril deste ano.

As cobranças, feitas também a outros veículos de comunicação, vão no sentido de que a empresa tem de boicotada por conta dos problemas graves ocorridos em terras maranhenses, quando muitos fãs e espectadores se sentir4am lesados com a péssima infraestrutura do local e o cancelamento de pelo menos metade das atrações previstas.

A primeira coisa que precisa ficar clara: imprensa não boicota nada ou ninguém. Boicote não é notícia e não interessa à imprensa boicotar ninguém. Não é nossa função fazer isso. Quem quiser boicotar o que ou quem quer que seja, que o faça, é seu direito constitucional, mas não se exigir que veículos de comunicação tenham essa postura.

A segunda coisa importante nesta questão: o que importa é a notícia e a prestação de serviços. O resto é detalhe. Se a Negri Concerts ou quem quer que seja anuncia, por exemplo, que vai trazer o Van Halen, não importa o que ocorreu em abril e se a empresa lesou alguém. É notícia e será divulgado – assim como o show será coberto e analisado.

A Negri já foi suficientemente criticada – e muito criticada – pelos problemas ocorridos no Maranhão, inclusive neste Combate Rock. As queixas de consumidores lesados foram publicadas e amplamente divulgadas. Agora a questão é de polícia e de Justiça.

Apesar dos problemas ocorridos, a Negri Concerts continua operando normalmente e de forma legal. Não há notícia de que tenha lesado mais alguém ou que seus eventos tenham tido o mesmo fracasso do que o Metal Open Air.

O show do Iced Earth, em São Bernardo do Campo (SP), foi muito bem organizado, apesar de ser fora de mão. O Coal Chamber também fez um bom show em evento sem incidentes e com organização satisfatória – o mesmo pode ser dito em relação ao Fear Factory.

Portanto, não confundamos coisas completamente diferentes. O cliente/fã/consumidor tem todo o direito de boicotar quem quiser e o evento que quiser. À imprensa cabe noticiar, divulgar, analisar, criticar e avaliar. Veículo de comunicação que pratica boicote está jogando contra o próprio negócio.

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