Bobby Womack: um lendário soul man em roupas novas

Estadão

07 Julho 2012 | 16h34

Roberto Nascimento

Álbuns novos de cantores lendários, pouco conhecidos pelas novas gerações, mas idolatrados por colecionadores, têm sempre de resolver a questão contexto. Será o disco uma recriação do plano de fundo que envolveu o cantor em seus dias mais famosos ou será ele uma atualização desta paleta analógica.

 The Bravest Man in The Universe, do já canonizado soul man Bobby Womack, arrisca a segunda alternativa. É seu primeiro disco de canções originais desde 1994, e traz a produção do descolado Damon Albarn, cérebro do Blur e do Gorillaz, em parceria com Richard Russell.

Em grande parte, as dez canções do disco tentam encaixar Womack no contexto black contemporâneo. Sua voz viaja por beats da moda, que embora não roubem o foco de seus lamentos curtidos, não dizem nada sobre sua condição de veterano lutador (Womack passou por maus bocados este ano, quando achou que tivesse câncer).

A impressão que se tem em muitas faixas – ao contrário do que acontece, por exemplo, no disco de remixes de Gil Scott Heron, feito por Jamie XX, em que a voz do poeta-cantor é manipulada como qualquer outro elemento – é que tentaram tornar Womack palatável em 2012. Mais fácil seria uma terceira alternativa, em que não se modernizasse nem recriasse, mas em que se vestisse sua voz com trajes tão incrivelmente enferrujados quanto.

Mais conteúdo sobre:

Bobby Womack