Bob Dylan ainda é relevante

Estadão

09 de setembro de 2012 | 12h00

Jotabê Medeiros

Bob Dylan ainda tem umas coisinhas a dizer. E todas elas poderão clarear um pouco as ideias do século, assim como ele ajudou a iluminar o século passado.

O novo farolete de Dylan atende pelo nome de Tempest (Sony/Columbia), um título que tanto pode remeter ao bardo, Shakespeare, quanto ao tema de que a canção-título trata, o naufrágio do Titanic.

Dylan faz um balanço do som mais rascante do blues, como se reencarnasse um Howlin’ Wolf crepuscular (em faixas como Early Roman Kings), passando pela revisão sentimental mais dolorida (como em Long and Wasted Years, sua mais amarga balada em anos).

 Também acha tempo para homenagear um combatente que se foi há 32 anos, John Lennon, em Roll On John. “Estou procurando por frases para cantar suas orações”, diz ele, em Soon After Midnight.

O mais bacana é que o disco parece uma evolução progressiva de sua performance nos palcos – uma abordagem crua, virulenta, impassível ao mesmo tempo que visceral. Órgão, guitarra, violão, banjo, acordeão, gaita, bateria – o instrumental é rudimentar, o universo é o da canção popular americana. Invoca aqui e ali um sabor de anos 30, 40, um passeio incidental pelo R&B e o ragtime mais primitivos.

Duquesne Whistle, folk blues divulgado na semana passada, anunciava Dylan procedendo a um exame de fora da própria condição de mito – como Leonard Cohen fez. São 10 faixas e é o melhor disco de Dylan desde Modern Times – sendo que nenhum deles ruim. Às vezes parece cinismo, mas é só realismo.

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